- Um estudo publicado em abril na Clinical Gastroenterology and Hepatology analisou dados de oito mil participantes do National Health and Nutrition Examination Survey, entre dois mil dezessete e dois mil e vinte e três, nos Estados Unidos, e mostrou que abusar de álcool, mesmo de forma ocasional, pode triplicar o risco de fibrose em pessoas com gordura no fígado.
- O risco aumenta quando há consumo excessivo pelo menos uma vez por mês, definido como quatro ou mais doses para mulheres e cinco ou mais para homens, em comparação com a mesma quantidade bebida ao longo do tempo.
- A pesquisa reforça a preocupação com a esteatose hepática, que já afeta cerca de quarenta por cento da população adulta mundial e pode evoluir para inflamação, cicatrizes, cirrose e câncer de fígado.
- Parte dos pacientes classificados como MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica) pode estar em maior risco quando há consumo alcoólico frequente; cerca de dezesseis por cento relataram episódios de consumo excessivo.
- Médica ressalta a importância de rastreamento regular e check-ups para detectar precocemente sinais de esteatose, já que o fígado pode funcionar sem sintomas até fases avançadas, e que não existe dose segura de álcool.
Do abuso de álcool, mesmo ocasional, pode triplicar o risco de fibrose no fígado em pessoas com acúmulo de gordura no órgão, aponta estudo publicado em abril na revista Clinical Gastroenterology and Hepatology. O trabalho destaca que o padrão de consumo é tão relevante quanto a quantidade total ingerida.
A análise revelou que beber em excesso pelo menos uma vez por mês aumenta o risco de fibrose em comparação com a ingestão da mesma quantidade de álcool distribuída ao longo do tempo. A pesquisa utilizou dados do National Health and Nutrition Examination Survey coletados entre 2017 e 2023, envolvendo 8 mil participantes.
Esses resultados chegam em um momento de mudança na nomenclatura da doença hepática associada à gordura. O termo massa monumental de gordura no fígado passou a se chamar doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, com a classificação MASLD.
Entretanto, quando há consumo regular de álcool, mesmo com gordura já presente, os pesquisadores argumentam que a condição pode evoluir para a doença hepática metabólica e alcoólica, ou MetALD, ampliando o risco de inflamação, cicatrizes e agravamento da função hepática.
Contexto e classificações
O estudo reforça a necessidade de considerar o padrão de ingestão alcoólica no acompanhamento de pacientes com esteatose hepática. Dados apontam que cerca de 16% das pessoas classificadas como MASLD relatam episódios ocasionais de consumo excessivo.
Essa visão amplia o escopo de rastreamento: o risco não depende apenas da presença de gordura no fígado, mas também do comportamento de consumo de álcool. A fibrose pode evoluir sem que haja sintomas perceptíveis, dificultando o diagnóstico precoce.
Implicações para prática clínica
Especialistas defendem ampliar o monitoramento de pacientes com MASLD, especialmente aqueles que relatam picos de ingestão alcoólica. O acompanhamento regular busca identificar sinais de evolução para fibrose, cirrose ou câncer hepático de forma mais rápida.
Os autores ressaltam que não existe dose segura de álcool para quem tem fígado com esteatose, tornando essencial o esclarecimento e a orientação clínica voltados à redução ou interrupção do consumo.
Entre na conversa da comunidade