- Estudo da USP detecta microplásticos e poluentes orgânicos persistentes em sedimentos, peixes e invertebrados a profundidades entre 400 e 1.500 metros na Bacia de Santos, about 140 quilômetros da costa brasileira.
- Compostos identificados incluem PCBs nos sedimentos e em peixes, e PBDEs encontrados apenas nos organismos marinhos; três das nove espécies de invertebrados apresentaram fibras plásticas no sistema digestório.
- Amostras foram coletadas em 2019 pelo navio oceanográfico Alpha Crucis; peixes de profundidade observados: Parasudis truculenta, Hoplostethus occidentalis, Coelorinchus marinii e Neoscopelus macrolepidotus.
- O caso aponta possível vínculo com atividade offshore na região, porém a origem exata dos poluentes ainda não está definida; transporte atmosférico é citado como provável caminho.
- Os pesquisadores destacam que é um levantamento inicial, com monitoramento caro e difícil, mas essencial para entender impactos na biodiversidade marinha profunda; houve rigor no protocolo para evitar contaminação.
Um estudo brasileiro, conduzido pela USP, detectou microplásticos e poluentes persistentes no fundo do Atlântico Sul, na Bacia de Santos, a cerca de 140 km da costa. As amostras foram coletadas entre 400 e 1.500 m de profundidade, em 2019, por navio oceanográfico Alpha Crucis.
A pesquisa identificou microplásticos e compostos orgânicos persistentes (POPs) em sedimentos, peixes e invertebrados, incluindo espécies de profundidade como Parasudis truculenta e Neoscopelus macrolepidotus. Os resultados apontam comprometimento de diferentes ecossistemas abissais.
Entre os contaminantes, foram encontrados PCBs nos sedimentos e nos peixes analisados, e PBDEs apenas nos organismos. As fibras plásticas foram detectadas em invertebrados marinhos estudados pela equipe.
O pepino-do-mar Deima validum mostrou contaminação no sistema digestório por fibras de poliamida, poliestireno e poliacrilonitrila, associadas à indústria têxtil e à fabricação de plásticos resistentes. Parte dos resíduos pode estar ligada à atividade offshore na região.
Para evitar interferência, os cientistas aplicaram protocolos rigorosos contra contaminação durante a análise das amostras. O controle envolveu equipamentos sem fibras sintéticas e monitoramento do ambiente de pesquisa.
Os autores destacam que o estudo é um levantamento inicial. Novas pesquisas são necessárias para entender impactos na biodiversidade marinha profunda e as origens dos poluentes, transportados pela atmosfera e pelas atividades humanas.
Gabriel Stefanelli-Silva, primeiro autor, afirma que o desafio é determinar a origem dos compostos e como afetam fauna de profundidade. O monitoramento de oceano profundo tem custo alto e acesso limitado, mas é essencial para o Brasil.
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