- O Tren Maya foi oficialmente inaugurado pelo governo mexicano, ligando Cancún e Tulum ao interior da península de Yucatán, mas ainda suscita dúvidas sobre funcionamento e venda de bilhetes.
- A viagem de Cancún a Palenque mostrou o trem como meio de transporte, não uma atração turística, com velocidade que pode tornar mais conveniente alugar carro ou usar ônibus para quem busca flexibilidade.
- Em várias etapas, houve debates sobre impactos ambientais, como desmatamento, reassentamento de moradores e wetlands preenchidos, com opiniões variadas entre moradores, ativistas e turistas.
- Em Campeche, comunidades locais relatam benefícios econômicos com o turismo, mas também reconhecem custos ambientais, enquanto a visita confirmou infraestrutura ainda em ajuste e linhas adicionais em construção.
- O itinerário até o litoral sul inclui trechos sobre cavernas e ecossistemas subterrâneos, gerando apreensão de especialistas sobre danos potenciais e a viabilidade de continuar com as obras.
O Tren Maya, maior projeto ferroviário mexicano, foi inaugurado oficialmente em dezembro, ligando Cancún a Tulum e conectando a península de Yucatán. Mesmo com a expectativa, ainda faltam informações públicas sobre a operação atual, horários e rotas.
Um jornalista da região percorreu o trajeto completo até Palenque para verificar funcionamento, demanda e impactos. A viagem ocorreu durante a Semana Santa, período de alta demanda turística, com a presença de várias famílias a bordo.
A viagem começou na estação de Cancún, com partida prevista para as 7h. O trem, de quatro vagões, não oferece serviços de dormitório e atende principalmente passageiros de lazer, segundo relatos da reportagem. O trajeto inclui paradas em Leona Vicario, Chichén Itzá e Mérida, entre outras.
Durante o percurso, foi possível observar a paisagem de florestas e áreas agrícolas, sem grandes indícios de desenvolvimento urbanístico imediato ao longo de trechos, conforme o relato do veículo. O trem mostrou-se mais lento do que carros na rodovia, levantando dúvidas sobre a velocidade média em operação plena.
Em Mérida, o trem contornou reservas naturais, mantendo a rota interna do estado de Yucatán e entranhando-se em Campeche. Em Escárcega, ponto de conexão entre linhas, ativistas locais explicaram disputas com realocação de famílias e intervenções em áreas alagadas, utilizadas para contenção de habitats.
Em Candelaria, ativistas mostraram casas erguidas para moradores deslocados pela obra. A reportagem ouviu críticas sobre impactos ambientais, como o enchimento de áreas úmidas para elevar a linha, e sobre o equilíbrio entre desenvolvimento e preservação. Houve também relatos de julgamentos judiciais relacionados à conectividade de habitats.
Ao longo do trajeto, a equipe encontrou casos de interrupção de serviço: uma pane em trechos de linha gerou atrasos, e a venda de passagens na linha 1, 2 e 4 ficou sujeita à disponibilidade, com a possibilidade de novas saídas anunciadas pelo operador.
A visita incluiu etapas na cidade de Campeche, onde a infraestrutura é vista como facilitadora de turismo, segundo comerciantes locais. No entanto, o deslocamento até a estação central foi considerado pouco conveniente, o que impacta a experiencia do usuário.
Em trechos fora das áreas de linha já operantes, especialistas em cavernas alertaram para riscos ambientais. Em uma visita a uma caverna próxima a Playa del Carmen, o grupo mostrou a presença de pilares em processo de instalação, o que gerou preocupação sobre impactos em ecossistemas subterrâneos e na água regional.
As discussões também incluíram o envolvimento político, com a presença de figuras ligadas à campanha presidencial de Xóchitl Gálvez, que tem posição contrária ao projeto, e a cobertura de mídia sobre o tema. A reportagem não apurou, porém, plano oficial de suspensão ou continuidade das obras de linhas futuras.
A reportagem encerra com o retorno a Cancún pela última etapa de viagem, destacando que o Tren Maya continua a ser tema de debates sobre desenvolvimento econômico, impactos ambientais e estratégias de transporte na região, sem conclusão definitiva sobre o futuro completo do projeto.
Entre na conversa da comunidade