- Em 2026, 40% dos brasileiros associam pobreza à falta de vontade de trabalhar, o maior índice da série Datafolha, frente a 22% em 2022.
- A pesquisa ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 17 e 18 de junho, em cerca de 139 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
- A parcela que associa pobreza à falta de oportunidades caiu de 76% para 58%; 3% não souberam responder.
- Por faixa etária e voto, idosos ficaram próximos do empate (49% preguiça, 48% oportunidades); jovens (16 a 24 anos) são 22% preguiça e 74% oportunidades; entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 52% associam à preguiça e 44% às oportunidades, enquanto entre eleitores de Lula, 28% e 70%, respectivamente.
- Entre ocupações, 56% dos que veem preguiça na pobreza são empresários e 28% são funcionários públicos.
O Datafolha divulgou um avanço expressivo na percepção de que a pobreza está ligada à preguiça, chegando a 40% entre os brasileiros; o índice é o maior da série histórica. Em 2022, eram 22%. A divulgação ocorreu na sexta-feira, 3 de junho de 2026.
A pesquisa entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, nos dias 17 e 18 de junho, em cerca de 139 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Os resultados integram a matriz ideológica da instituição.
Na leitura geral, a associação pobreza-preguiça ganhou peso, enquanto a relação com falta de oportunidades continuou dominante, mas recuou de 76% para 58%. Três por cento não souberam responder.
Ao longo da série histórica, o salto recente aparece entre as mudanças mais significativas. Em 2013, 32%; em 2014, 37%; em 2017, 21%; em 2022, 22%; e em 2026, 40%.
Entre faixas etárias, idosos (60+) ficam próximos à paridade: 49% associam pobreza à preguiça, 48% veem falta de oportunidades. Entre jovens (16 a 24): 22% apontam preguiça e 74% citam falta de oportunidades.
Entre eleitores de candidatos de diferentes alas, a disputa é perceptível. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 52% associam à preguiça e 44% a falta de oportunidades. Entre eleitores de Lula, 28% e 70%, respectivamente.
A ocupação também influencia as respostas: entre quem associa pobreza à preguiça, 56% são empresários e 28% são funcionários públicos, com empresários liderando esse grupo. Entre ocupações, esse padrão se destaca.
Entre quem ganha mais de dez salários mínimos, 63% veem a pobreza ligada à falta de oportunidades. Entre quem recebe de dois a cinco salários, 55% compartilham essa visão; 43% discordam. Quem ganha até dois salários mínimos soma 40% para preguiça e 58% para falta de oportunidades.
No conjunto, o Datafolha usa uma combinação de questionários para classificar posicionamento ideológico, cruzando escores com referências econômicas e sociais. O resultado indica que quem acredita na associação entre pobreza e preguiça pertence majoritariamente à direita.
O levantamento reforça o debate sobre percepção de pobreza, oportunidades e ideologia no eleitorado brasileiro, com foco nos impactos de leitura econômica e social na opinião pública atual.
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