- O primeiro-ministro Mark Carney substituiu a estratégia climática anterior por uma abordagem baseada em investir, não proibir, derrubando ou enfraquecendo várias políticas de clima já existentes.
- Houve suspensão ou atrasos em regulações-chave, como metas de emissões de metano, regras de eletricidade limpa (adiadas para 2050) e obrigações de veículos de emissão zero (ZEV), além de revogação de planos de teto de emissões de petróleo e gás.
- O governo tem apoiado ativamente infraestrutura de combustíveis fósseis, acelerando projetos de LNG e pipelines e abrindo espaço para subsídios federais, incluindo um possível novo fundo soberano para financiar infraestrutura de combustíveis fósseis.
- Um acordo energético com a Alberta reduziu a pressão sobre o preço industrial de carbono ali estável em 2040 para 130 por tonelada, enfraquecendo a meta de precificar o carbono no setor industrial até 2030.
- Especialistas e organizações climáticas afirmam que as mudanças podem comprometer o objetivo de emissões netas zero até 2050, enquanto parte da população continua resistente e vê motivos políticos para ceder terreno a Alberta.
O primeiro-ministro Mark Carney sinalizou mudanças significativas na abordagem climática do Canadá ao anunciar, nos últimos meses, uma virada para estímulo à indústria em detrimento de medidas de proibição. Entre as ações, há a retirada do preço ao consumidor do carbono, sob sua liderança.
O governo federal lançou a Climate Competitiveness Strategy, que prioriza atrair investimentos em vez de impor proibições. Regulamentações sobre metano foram enfraquecidas ou adiadas, e as regras de energia limpa foram estendidas até 2050, reabrindo espaço para novas plantas a gás.
Um teto de emissões para petróleo e gás foi considerado, mas acabou sendo removido. Também houve sinalização de revisão de leis contra greenwashing e atraso nas metas de veículos de emissão zero, com impactos observados nas vendas de EVs no país.
Alterações regulatórias e econômicas
O governo passou a favorecer infraestrutura de combustíveis fósseis, incluindo projetos de LNG e linhas de gasodutos com possível subsídio federal. Projetos considerados de “construção nacional” receberam menos restrições ambientais, acelerando licenças e autorizações.
Além disso, houve reforço de incentivos fiscais para captura e armazenamento de carbono e ampliação de subsídios a recuperação avançada de petróleo, com uso de carbono capturado. Um novo fundo soberano federal foi anunciado para financiar projetos de infraestrutura de combustíveis fósseis.
A suspensão de um imposto sobre o gás e o petróleo contrastou com promessas anteriores de fortalecer o preço interno de carbono industrial. Especialistas indicam que a nova linha pode reduzir a eficácia de ferramentas climáticas domésticas.
Contexto político e críticas
Em maio, Carney assinou acordo energético com a primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, para facilitar o avanço de um novo oleoduto e reduzir a tributação de carbono na província. AClimate Action Network Canada criticou o acordo como prejudicial ao plano climático do Canadá.
A Climate Institute divulgou que o pacto coloca em risco o compromisso de neutralidade de carbono até 2050. Ainda assim, havia apoio entre parte do público para manter a unidade nacional frente a tensões regionais.
Alguns observadores argumentam que as mudanças visam conciliar interesses regionais com o objetivo de avançar reformas estruturais. Contudo, projetos de infraestrutura de petróleo e gás permanecem sob avaliação de viabilidade e aceitação de investidores.
Perspectivas futuras
Especialistas indicam que as medidas podem impactar as emissões nacionais e as exportações de carbono. Há dúvidas sobre a capacidade de atrair financiamento para novos projetos fósseis, diante de pressões globais por transição energética.
Indígenas e movimentos ambientais afirmam que continuarão a contestar obras estratégicas que afetem seus territórios. Enquanto o Canadá sustenta a economia de hidrocarbonetos, o mundo segue com avanços significativos em políticas de redução de emissões.
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