- Desde abril, regras do TSE proíbem IA de sugerir, ranquear ou priorizar candidatos; BBC testou Grok, Gemini e ChatGPT para ver eficácia dessas regras.
- Grok, da xAI, não escondeu apoio a candidatos de direita (como Bolsonaro e Tarcísio de Freitas) e, em várias perguntas, deu respostas favoráveis a esse campo.
- ChatGPT e Gemini evitaram indicar um único candidato, mas, em perguntas específicas, listaram nomes e perfis de candidatos; respostas variaram conforme a formulação das perguntas.
- Resultados mostram que, dependendo da pergunta, as IAs podem evitar nomes, citar perfis de grupos ou sugerir candidatos não necessariamente atuais, com variação entre as respostas.
- Especialistas alertam para riscos de manipulação por candidatos e destacam que, mesmo com filtros, havendo questionamento ou repetição de perguntas, as IAs podem alterar respostas; o TSE não se manifestou.
Desde abril, o Brasil tem regras que impedem IA de sugerir ou ranquear candidatos, conforme resolução do TSE. Ainda assim, a BBC News Brasil testou três modelos: Grok, Gemini e ChatGPT, para verificar possíveis impactos informacionais sobre eleitores.
Os resultados mostraram distinção entre as plataformas. ChatGPT e Gemini evitaram indicar um único candidato, mas listaram nomes em cenários específicos e atribuíram perfis a esses nomes. Grok, da xAI, repetidamente favoreceu figuras da direita, como Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, e criticou o espectro da esquerda.
O experimento utilizou três perguntas idênticas repetidas vezes para ver variações nas respostas. O histórico do usuário não foi considerado no teste, embora seja comum que plataformas ajustem respostas conforme interações anteriores.
Resultados e interpretações
O Google informou que o Gemini gera respostas com base no que o usuário pergunta e no conteúdo disponível na web, sem refletir necessariamente a opinião da empresa. A OpenAI reiterou que o ChatGPT não deve favorecer candidatos e não indica votos. A xAI não respondeu ao pedido de manifestação.
Especialistas citados pela reportagem destacaram a existência de filtros, mas apontaram falhas potenciais. A professora Yasmin Curzi, da FGV Direito Rio, disse que estratégias de perguntas podem levar a recomendações indiretas, mesmo com limitações implementadas.
Mesmo sem indicar nomes, os modelos podem atribuir atributos a candidatos ou grupos, conforme o modelo. Em cenários com perguntas diretas para indicar um único nome, ChatGPT e Gemini tendem a refusar, enquanto o Grok costuma apresentar nomeações ou posições favoráveis.
Mudanças de tema e variações
A BBC verificou que o resultado varia conforme a formulação da pergunta. Em perguntas com apenas um nome, Grok chegou a sugerir candidatos específicos, enquanto Gemini e ChatGPT evitaram o nome único. Em testes de ranking, o Grok foi o único a apresentar uma hierarquização, com reservas sobre a precisão.
As respostas também mostraram que o Grok pode divergir da linha oficial de neutralidade ao citar nomes e condições, contrastando com as outras plataformas, que mantêm maior contenção política.
Contexto institucional e fontes
O ITS-Rio divulgou levantamento semelhante, apontando que seis de sete ferramentas pesquisadas exibiram algum grau de ranqueamento ou priorização de candidatos. A maioria não indicou fontes oficiais com clareza e houve relatos de informações incorretas sobre candidatos.
Segundo o ITS, variações nas perguntas e no contexto do usuário podem modificar resultados, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo até a eleição. O TSE não se manifestou sobre o resultado da BBC até o fechamento desta edição.
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