- A operação Vérnix, do Gaeco de Presidente Prudente com apoio da Polícia Civil de São Paulo, investiga suposta lavagem de dinheiro ligada ao PCC, com seis prisões preventivas, bloqueios patrimoniais e outras medidas.
- Entre os alvos estão a influenciadora Deolane Bezerra, o líder Marcola e familiares da família Camacho, com mandados cumpridos em Barueri e em penitenciárias federais.
- Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho aparecem como foragidos sob difusão vermelha da Interpol; ambos teriam papéis na transmissão de ordens e na gestão patrimonial.
- A investigação foca na movimentação financeira e na circulação de recursos, buscando bens usados para ocultar valores, em vez de crimes violentos em si.
- A apuração aponta uma estrutura econômica ligada ao PCC, com o objetivo de rastrear fluxos financeiros e interromper operações ilícitas.
A operação Vérnix, deflagrada na manhã desta quinta-feira pelo Gaeco de Presidente Prudente, com apoio da Polícia Civil de São Paulo, envolve figuras públicas e criminosas históricas em apuração sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Segundo as autoridades, o foco não é violência nem tráfico, mas a ocultação de patrimônio e a reinserção de recursos na economia formal.
Ao todo, a Justiça autorizou seis prisões preventivas, bloqueios patrimoniais e medidas cautelares que atingem bens e empresas vinculadas aos investigados. Os mandados passaram a mobilizar investigados com atuação financeira ligada à estrutura econômica do PCC.
A CNN Brasil apurou a lista de alvos, que inclui Deolane Bezerra, influenciadora e advogada, bem como membros da família de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Alguns investigados já tiveram mandados cumpridos; outros seguem foragidos.
Deolane Bezerra
A influenciadora ganhou notoriedade a partir do caso envolvendo a morte do marido MC Kevin, em 2021. Desde então, ampliou atuação na mídia e nos negócios, mantendo presença nas redes, programas de TV e projetos empresariais.
Entre 2023 e 2024, Deolane reapareceu em investigações financeiras vinculadas ao seu nome. A operação Vérnix aponta movimentações incompatíveis com atividades legais, além de conexões empresariais que, segundo autoridades, indicariam uma possível rede de lavagem de dinheiro. Ela retornou ao Brasil na véspera da deflagração.
Marcola e familiares
Marcos Willians Herbas Camacho, nascido em Osasco, liderou o PCC conforme investigações históricas, mas nega dirigir a organização. Hoje, aos 58 anos, cumpre pena em uma penitenciária federal de segurança máxima em Brasília, com condenações em diferentes crimes.
O irmão de Marcola, Alejandro Camacho, e a sobrinha Paloma Sanches Herbas Camacho também aparecem na apuração, com mandados emitidos. Paloma estaria foragida, com status na Difusão Vermelha da Interpol, enquanto Alejandro atua como uma figura central no núcleo administrativo.
Outro sobrinho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também é considerado foragido. A investigação aponta que o núcleo familiar teria função de transmitir ordens e gerenciar o fluxo de recursos para o esquema.
O papel da família na apuração
De acordo com o inquérito, Paloma organizaria repasses recebidos durante visitas ao sistema prisional para os gestores financeiros externos. Leonardo seria beneficiário de parte do patrimônio objeto de apuração, conforme registros analisados pela polícia.
Segundo os investigadores, os dois núcleos funcionariam de forma complementar: o familiar cuidaria da transmissão de ordens e da gestão patrimonial; o núcleo financeiro, por sua vez, asseguraria a aparência formal das operações.
O que a operação busca
A Vérnix é descrita pelas autoridades como uma ofensiva voltada à sustentação econômica do crime, com o objetivo de rastrear fluxos financeiros, interromper movimentações ilícitas e alvejar o patrimônio utilizado para ocultar recursos. A responsabilização dependerá do andamento processual e de decisões judiciais futuras.
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