- O cientista político Lucas de Aragão afirma que a crise no STF existe há mais tempo do que admite a corte, com a divisão atual apenas evidenciando um problema antigo.
- Fachin e Lúcia reconheceram crise; Gilmar Mendes classificou como alarmista. Para Aragão, os sinais já estavam presentes antes, com mais de sessenta parlamentares investigados pela corte.
- Ele cita ainda o uso do STF pelo Executivo para driblar resistência no Legislativo como indicativo de crise.
- A judicialização da política é apontada como sintoma, com o tribunal atuando como procon da política diante de resultados eleitorais.
- O cenário pode piorar em 2025 com um Senado mais à direita; pesquisa conjunta Atlas Intel e Arko Advice mostra queda acentuada na confiança no STF, de maioria confiando para quase setenta por cento não confiando.
O cientista político Lucas de Aragão, da Arko Advice, afirma que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) vem de antes do que admite a Corte. Em entrevista, ele disse que a divisão entre ministros evidencia um problema mais antigo e estruturante.
Segundo ele, a crise se acentuou quando mais da metade do Senado abriu caminho para um impeachment de ministros. Além disso, apontou que a investigação de mais de 60 parlamentares pelo STF, e o uso do tribunal para contornar resistências do Legislativo, são sinais de que há um conflito institucional em curso.
Aragão também citou a judicialização da política como sintoma relevante, com a atuação do STF como uma espécie de procon da política diante de resultados de votações impopulares. O diagnóstico, segundo ele, reforça a leitura de crise institucional em curso.
Sinais da crise
O especialista indicou que a situação tende a se agravar no curto prazo, caso haja um Senado mais à direita após as eleições de 2025. Ele mencionou a possibilidade de o impeachment de ministros ou o papel do STF na arena pública virarem tema central de campanhas.
Dados de pesquisa divulgados pela Atlas Intel e pela Arko Advice, apresentados à CNN, mostraram queda expressiva na confiança na instituição. Há cerca de seis meses, 51% dos entrevistados confiavam no STF, 49% não confiavam. A mais recente sondagem aponta que quase 70% não confiam no tribunal.
Perspectivas de atuação
A leitura de Aragão é de que a crise institucional já se manifesta de forma contínua, refletindo tensões entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Ele sustenta que os sinais observados indicam um conflito estrutural que pode se intensificar diante de cenários políticos adversos.
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