- O acordo entre a União Europeia e o Mercosul avançou para a fase de ratificação após mais de 20 anos de negociações.
- A Comissão Europeia validou o texto do acordo em três de outubro de 2024 e o enviou ao Conselho Europeu para aprovação.
- A ratificação pode levar meses, com especialistas prevendo a aplicação do acordo entre 2026 e 2027.
- O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, espera que a assinatura ocorra até o final de 2024, mas a análise individual de cada país pode atrasar o processo.
- O acordo visa criar uma zona de livre comércio, beneficiando ambos os blocos, apesar da oposição da França, que teme pela competição no setor agrícola.
Após mais de 20 anos de negociações, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul avança para a fase de ratificação. A Comissão Europeia validou o texto do acordo na quarta-feira, 3 de outubro de 2024, e agora o documento será enviado ao Conselho Europeu para aprovação. A ratificação, no entanto, pode levar meses, com especialistas prevendo que a aplicação do acordo ocorra entre 2026 e 2027.
O acordo, finalizado em dezembro de 2024, precisa do aval da maioria dos países da União Europeia. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva expressou otimismo, esperando que a assinatura ocorra até o final do ano. Contudo, a análise individual de cada país pode atrasar o processo. O professor de Relações Internacionais da ESPM, Roberto Uebel, indicou que a tramitação deve começar no segundo semestre de 2025, com a implementação prevista para o segundo semestre de 2026 ou início de 2027.
Impactos Econômicos e Geopolíticos
O acordo promete criar uma grande zona de livre comércio, contrabalançando a influência da China em ambos os mercados. Além disso, a União Europeia poderá reduzir sua dependência do mercado chinês ao aproveitar os minérios brasileiros. O pacto é visto como benéfico para ambos os blocos, com o Brasil podendo aumentar seu PIB em 0,5% ao ano e as exportações crescendo até 3,4% até 2034, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Entretanto, a França se opõe ao acordo, preocupada com a competição de seus produtos agrícolas, especialmente carnes. O presidente francês Emmanuel Macron busca proteger o setor agrícola, pressionado por fazendeiros locais. Para atender a essas preocupações, a Comissão Europeia propôs novos mecanismos que limitariam a prioridade das carnes sul-americanas nos mercados europeus, além de criar um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros para os agricultores europeus.
Apoio e Oposição Interna
Apesar da resistência, países como Alemanha e Espanha apoiam o acordo, ansiosos para expandir seus mercados automobilísticos em parceria com o Brasil. A pressão interna pela ratificação continua forte, enquanto a oposição francesa, apoiada por outros países, representa um risco real para a aprovação do pacto. A situação permanece em evolução, com as negociações em andamento e a expectativa de que o acordo traga benefícios significativos para ambas as partes.
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