A juíza boliviana Lilian Moreno foi presa pela polícia em Santa Cruz de la Sierra após ter anulado um mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales. A prisão foi ordenada pelo promotor Fernando Espinoza, e a decisão de Moreno foi revertida por outro juiz, restabelecendo as acusações contra Morales, que enfrenta um processo por tráfico de menor. O ex-presidente, que está há mais de 200 dias em sua base política, teme ser preso. Ele já foi convocado a depor várias vezes, mas não compareceu. A situação de Morales se complicou após a reabertura de um caso antigo que o acusa de ter engravidado uma adolescente. Apesar das ordens de prisão, a execução ainda não ocorreu, e o governo afirmou que não há garantias para prender Morales sem riscos para civis. A juíza Moreno, que já atuou durante o governo de Morales, agora enfrenta investigações e processos por suas decisões judiciais.
A juíza boliviana Lilian Moreno foi detida na manhã desta segunda-feira, em Santa Cruz de la Sierra, após reverter sua decisão que anulava o mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales. A prisão foi ordenada pelo promotor Fernando Espinoza, da Promotoria Especializada em Anticorrupção.
Moreno havia aceitado um habeas corpus que beneficiava Morales, investigado por tráfico de menor. Contudo, sua decisão foi posteriormente anulada por um juiz, restabelecendo as acusações contra o ex-presidente. O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, afirmou que a prisão foi cumprida com uma “resolução fundamentada”.
Situação de Evo Morales
Morales permanece em sua base política na região cocalera da Bolívia, temendo ser preso. Ele não sai de sua localidade há mais de duzentos dias. Sua situação jurídica se complicou em setembro de 2024, quando o Ministério Público reabriu um caso de 2016, que o acusava de ter engravidado uma adolescente. Este caso foi arquivado em 2020, mas voltou a ser investigado.
Em janeiro, um novo mandado de prisão foi emitido contra Morales, que também foi impedido de deixar o país. Apesar disso, a execução da ordem de prisão ainda não ocorreu. O ministro de Governo, Eduardo del Castillo, declarou que não há garantias para prender Morales sem risco à vida de civis.
Reviravoltas no Judiciário
A juíza Moreno, que atuou durante o governo de Morales, havia anulado o mandado de prisão em outubro. No entanto, essa decisão não foi ratificada pelo Tribunal Constitucional Plurinacional. O juiz Franz Zabaleta anulou a decisão de Moreno, restabelecendo as acusações contra Morales.
O cenário atual reflete a intensa disputa entre Morales e o atual presidente Luis Arce pelo controle do Movimento ao Socialismo (MAS). A situação evidencia a instrumentalização política da justiça, uma prática que se intensificou durante o governo de Morales, segundo críticos.
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