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China tem mais cartas estratégicas que EUA e Rússia

Pequim sinaliza avanços comerciais com os Estados Unidos e reforça vínculos com a Rússia, privilegiando multipolaridade e estratégia de longo prazo

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  • Xi Jinping recebeu Donald Trump com deferências, destacou a soberania chinesa sobre Taiwan e afirmou que China e EUA devem ser “parceiros, não adversários”.
  • Houve avanços comerciais aparentes: possível aumento de compras de produtos agrícolas americanos e anúncio, aos jornalistas, de uma encomenda de 200 aviões da Boeing.
  • Vladimir Putin reuniu-se com Xi, assinaram vinte acordos em áreas diversas e discutiram um gasoduto a partir da Sibéria para a China, visando ampliar a cooperação.
  • Xi reiterou a defesa de um mundo multipolar, em contraste com a hegemonia dos Estados Unidos, e ressaltou a parceria com a Rússia como exemplo de convivência entre grandes potências.
  • No contexto interno, a China mantém posição de planejamento de longo prazo, enquanto os Estados Unidos enfrentam instabilidade política e econômica, com eleições de meio de mandato previstas para novembro.

A visita de Xi Jinping a Pequim reuniu Donald Trump e Vladimir Putin em uma sequência que mescla protocolo de alto nível e recados sobre soberania. O anfitrião recebeu os dois com deferências que vão além do protocolo, incluindo jantares formais e visitas a espaços históricos.

Durante o encontro com Trump, Xi reforçou a ideia de tratar os Estados Unidos como igual e deixou claro o foco em respeitar a soberania chinesa sobre Taiwan. O episódio também citou a chamada Armadilha de Tucídides, como alerta contra uma escalada por potências em ascensão.

A pauta econômica foi enfatizada pelos dois lados. Foi mencionada a possibilidade de ampliar compras de produtos agrícolas americanos, além de uma encomenda de 200 aviões da Boeing anunciada ao longo da viagem, com confirmação do governo chinês apenas quando Putin também estava na China.

Pouco depois, em Harbin, ocorreu a 10ª Exposição China-Rússia, com participação de 1.500 empresas de 46 países. A iniciativa foi amplamente divulgada pela imprensa estatal, em tom otimista, destacando a cooperação entre as duas nações.

Putin chegou a assinar 20 acordos com Xi Jinping, abrangendo comércio, tecnologia e infraestrutura, incluindo um gasoduto da Sibéria para a China. Os líderes também defenderam um mundo multipolar e disseram que as relações entre China e Rússia atingiram o mais alto nível.

A China mantém posição estratégica com relação a Washington e Moscou. Xi busca manter planejamento de longo prazo, esperando o desfecho das eleições americanas de meio de mandato, em novembro, para calibrar futuras negociações bilaterais.

No contexto, o governo chinês sinalizou que o conflito no Irã é uma questão para resolver rapidamente, destacando a necessidade de diálogo entre potências. Trump chegou ao fim da visita com expectativa por ganhos concretos de curto prazo, sem confirmar avanços extensos.

O governo chinês reforçou que a parceria com Moscou não é apenas uma reação a Washington, mas parte de uma estratégia de ampliar influência internacional. Ao mesmo tempo, Pequim contou com seu papel de ator diplomático estável e com sólido desempenho econômico.

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