- Os Estados Unidos acusam Raúl Castro, ex‑ministro da Defesa de Cuba e irmão de Fidel, de homicídio, destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos norte-americanos, em relação a incidentes de fevereiro de 1996.
- As acusações se referem ao abatimento de dois aviões Cessna C‑337 do grupo Brothers to the Rescue no Caribe, que resultou na morte de quatro tripulantes, três deles americanos.
- Além de Raúl Castro, outros cinco cubanos foram denunciados pelos mesmos crimes.
- As penas máximas indicadas são: para homicídio, pena de morte ou prisão perpétua; para conspiração para matar norte‑americanos, prisão perpétua; e para destruição de aeronaves, até cinco anos por aeronave destruída.
- O caso acompanha tensões entre EUA e Cuba e ocorre em um contexto de pressão americana por reformas em Cuba e acirramento de sanções.
Raúl Castro, ex-líder cubano e irmão de Fidel, foi alvo de acusações criminais nos EUA na quarta-feira (20). Segundo os autos, ele responde por quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e uma conspiração para matar cidadãos norte-americanos. Os fatos remontam a 1996, quando dois aviões civis da organização Brothers to the Rescue foram derrubados.
As acusações apontam que o ataque ocorreu em fevereiro de 1996, quando Raúl ocupava o posto de ministro da Defesa, ainda sob o governo de Fidel Castro. O Brothers to the Rescue era formado por cubanos exilados nos EUA que realizavam voos de vigilância no Caribe. Quatro tripulantes morreram, três deles norte-americanos.
Outros cinco cubanos também foram denunciados pelo mesmo conjunto de crimes: Lorenzo Alberto Pérez Pérez, Luis Raúl González-Pardo Rodríguez, Emilio José Palacio Blanco, José Fidel Gual Barzaga e Raúl Simanca Cárdenas. As informações elevam a possibilidade de julgamento nos EUA, como ocorreu com casos envolvendo autoridades de outros países.
Penas máximas previstas incluem: homicídio, com possibilidade de pena de morte ou prisão perpétua; conspiração para matar cidadãos norte-americanos, com pena máxima de prisão perpétua; e destruição de aeronaves, com até cinco anos de prisão por aeronave.
Abate dos aviões ocorreu em 24 de fevereiro de 1996, quando dois Cessna C-337 do Brothers to the Rescue foram alvejados pela Força Aérea Cubana sobre o Caribe. Vítimas: Armando Alejandre, 45; Carlos Costa, 29; Mario de la Peña, 24; e Pablo Morales, 29. O grupo atuava com voos de vigilância a cubanos que tentavam deixar o país pela via marítima.
O governo cubano sustenta que os aviões violaram o espaço aéreo; a Organização da Aviação Civil Internacional informou que o ataque ocorreu em águas internacionais, no Estreito da Flórida. Famílias das vítimas processaram o governo cubano nos EUA e receberam, em 1997, indenização de cerca de 187,6 milhões de dólares.
Ações dos EUA contra Cuba se intensificaram após a captura de Nicolás Maduro, em 2023, servindo como pressão para reformas econômicas e políticas. Washington manteve o embargo e ampliou sanções, citando soberania nacional cubana como justificativa. Especialistas avaliam a possibilidade de resposta militar, em contexto de tensão regional.
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