- Centenas de pessoas marcharam em La Paz, Bolivia, em protestos contra a crise econômica e a exigência de renúncia do presidente Rodrigo Paz.
- O governo afirma que parte dos manifestantes busca enfraquecer a democracia e alterar a ordem democrática e constitucional.
- Paz anunciou mudança no gabinete para incluir setores sociais, dizendo que não dialogará com “vândalos”, mas abrirá portas para quem respeita a democracia.
- Existem mais de quarenta e quatro pontos de bloqueio em todo o país, causando escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos; governos estudam corredores humanitários para passagem de cargas.
- O governo expulsou a embaixadora colombiana, após acusações de interferência, enquanto Estados Unidos apoiaram publicamente o governo boliviano.
Centenas de pessoas marcharam nesta quarta-feira pelas ruas de La Paz, na Bolívia, contra a crise econômica e a gestão de Rodrigo Paz. Os protestos acompanham um isolamento político que já dura mais de três semanas, com bloqueios de vias em várias regiões do país.
Os manifestantes, compostos por camponeses, operários e trabalhadores, pedem a renúncia do presidente de orientação de centro-direita. O governo afirma que os atos visam minar a democracia e a ordem constitucional.
Em meio à tensão, Paz anunciou mudança no gabinete para incluir setores sociais, afirmando que o governo precisa ouvir mais vozes, desde que respeitem a democracia, sem dialogar com quem chama de vândalos.
Repercussões e desdobramentos
Durante uma intervenção virtual na OEA, o chanceler Fernando Aramayo afirmou que os grupos de protesto buscam enfraquecer o governo e alterar a ordem democrática. Ele disse que não haverá negociação com quem pede a renúncia do presidente.
O governo atribui parte dos protestos ao ex-presidente Evo Morales, que está foragido, e a alegações de envolvimento em casos judiciais. A acusação envolve tentativas de desestabilização econômica e política.
A crise econômica é apontada como mais grave desde a década de 1980, com inflação em torno de 14% em abril e reservas de dólares minguando. A estatal de rodovias registra pelo menos 44 pontos de bloqueio no território.
Para enfrentar o impacto, o governo acionou um corredor humanitário e mobilizou uma ponte aérea para abastecer La Paz com carne e itens básicos. Comerciantes e moradores relatam aumento nos preços e desabastecimento.
A Embaixada da Colômbia foier expulsada, após alegação de interferência do governo colombiano em assuntos bolivianos. Em resposta, o presidente Gustavo Petro reagiu, chamando a situação de extremismo crescente.
Ontem, autoridades americanas manifestaram apoio ao governo de Paz, qualificando-o como legítimo e constitucional. Os EUA defenderam a continuidade institucional e evitaram ações que possam intensificar a crise.
Entre na conversa da comunidade