- A reportagem do The New York Times aponta que o plano inicial dos Estados Unidos para a guerra ao Irã previa devolver Mahmoud Ahmadinejad ao poder, incluindo um ataque para retirá-lo da prisão domiciliar em Teerã.
- A estratégia, discutida com Israel e lançada após a ofensiva de 28 de fevereiro, contemplava diversas fases: ataques militares, eliminação de lideranças iranianas, campanhas de influência política e ações para ampliar a instabilidade interna.
- Ahmadinejad, conhecido por posições duras contra o Ocidente e Israel, seria visto como mais maleável por ter entrado em conflito com o núcleo dirigentes do regime; ele teria sido consultado sobre a articulação.
- Um ataque israelense atingiu a residência de Ahmadinejad no bairro de Narmak, em Teerã, no início da guerra; o ex-presidente ficou ferido, conseguiu escapar e desde então seu paradeiro é desconhecido.
- Segundo o NYT, o plano de mudanças de regime falhou; a Casa Branca não confirmou a estratégia envolvendo Ahmadinejad, limitando-se a dizer que os objetivos eram destruir capacidades militares iranianas e enfraquecer fatores do eixo de Teerã.
O jornal americano The New York Times revelou que, desde o início da guerra contra o Irã, haveria planos de devolver Mahmoud Ahmadinejad ao poder no país. Segundo a reportagem, EUA e Israel desenharam uma estratégia em fases que buscava desestabilizar o regime por dentro, incluindo a libertação do ex-presidente de sua prisão domiciliar em Teerã. A ofensiva começou em 28 de fevereiro, segundo a investigação.
O documento do NYT aponta que o objetivo inicial não era apenas desabilitar militares iranianos, mas também alterar a liderança interna. Ahmadinejad, que já ocupou a presidência entre 2005 e 2013, seria visto como uma figura com maior tolerância relativa a negociações, conforme a matéria. Ainda segundo a reportagem, o ex-líder foi consultado sobre a articulação, ainda que não tenha havido confirmação de uma cooperação formal.
O ex-presidente vive sob vigilância no bairro de Narmak, no leste de Teerã. No primeiro dia do conflito, um ataque israelense atingiu a região, ferindo Ahmadinejad e provocando rumores sobre seu decesso. Subsequentemente, veículos estatais iranianos corrigiram informações, e o paradeiro do ex-líder tornou-se incerto.
Mudança de planos
A reportagem detalha uma estratégia em etapas. A primeira envolveria ataques coordenados entre forças americanas e israelenses contra estruturas militares iranianas e lideranças do alto escalão. A segunda fase incluiria campanhas de influência para ampliar a instabilidade interna e a percepção de perda de controle do regime.
Uma terceira etapa previa o desgaste institucional e danos à infraestrutura estratégica, abrindo espaço para a instalação de um governo alternativo. O plano, no entanto, não foi bem-sucedido; a estrutura central do poder iraniano resistiu maior tempo do que o previsto.
Mesmo diante dos sinais de fracasso, integrantes da inteligência israelense teriam defendido interna e ainda a possibilidade de obter mudanças profundas por meio de pressão militar combinada com fragmentação política. A Casa Branca, por sua vez, afirma que o objetivo principal era destruir capacidades militares e enfraquecer aliados do Irã, sem detalhar planos de derrubada de regime.
Reação oficial
Ao ser questionada pela reportagem, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, limitou-se a confirmar que os objetivos seriam enfraquecer o arsenal iraniano e os grupos aliados ao regime, sem comentar sobre Ahmadinejad. O conteúdo completo destaca uma dimensão do conflito ainda não amplamente discutida publicamente.
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