- Estima-se que até quatro milhões de empregos foram perdidos ou afetados pela guerra e pelo bloqueio quase total da internet no Irã.
- O governo mantém restrições digitais há mais de cinquenta dias; o ministro das Comunicações pediu o fim da proibição, dizendo que milhões dependem da conectividade para trabalhar.
- A segurança está mais visível em Teerã, com presença de vigilância de grupos paramilitares e da Guarda Revolucionária; veículos blindados foram vistos na Praça Ferdowsi.
- A vida cotidiana segue com comércio funcionando, cafés lotados e um confronto constante entre áreas ricas e pobres; muitas mulheres e jovens já não seguem regras estritas de vestimenta.
- Há frustração com a guerra e com a economia; moradores pedem fim do conflito e discutem negociações com os Estados Unidos, em clima de incerteza sobre o futuro.
Teerã encara a guerra com desemprego, internet restrita e reforço de segurança. Relato direto de Lyse Doucet, da BBC, mostra como o dia a dia na capital iraniana convive com incertezas. O foco é o que aconteceu, quem envolve, quando, onde e por quê.
Nas ruas de Teerã, comércio local persiste apesar da tensão. Em Sanaei Ghaznavi, lojas de mantimentos, itens para o lar, fast-food e flores formam o cenário cotidiano entre visitantes e moradores que tentam seguir, mesmo diante da crise. A vida segue com normalidade aparente.
Mohammad, 27 anos, observa a loja de sapatos da família. A cada cliente, ele lembra que o emprego é escasso. O pai Mustafa relata que o negócio, com 40 anos de tradição, sofre com a queda de clientes e a incerteza econômica que acompanha o conflito.
Segundo o site Asr-e Iran, até 4 milhões de empregos podem ter sido afetados pela guerra e pelo bloqueio de internet, iniciado há mais de 50 dias. A estimativa não oficial aponta o impacto direto na renda de muitas famílias iranianas.
A loja exibe marcas ocidentais, com etiquetas produzidas na China. A família comenta que até as falsificações são caras no Irã, destacando a pressão econômica sentida por diversos setores. A conversa revela frustração com a atual conjuntura.
Apoio à solução de conflito não é consenso. Materiais de consumo como pão aparecem entre os temas sensíveis, com moradores relatando elevação de preços e dificuldades de abastecimento para as camadas de renda mais baixa.
O bloqueio de internet, sob o pretexto de segurança nacional, permanece em vigor. Autoridades afirmam que continuará enquanto persistirem ameaças, dificultando trabalho remoto, acesso a informações e serviços digitais.
A presença de segurança é visível. Militares, voluntários do Basij e a Guarda Revolucionária aparecem em pontos estratégicos, sinalizando vigilância constante em ruas e praças centrais, incluindo Ferdowsi e Vali-e Asr.
Contexto econômico e social
A cidade oferece contrastes marcantes entre áreas abastadas e regiões mais pobres, refletidos na vida cotidiana, nas opções de lazer e nas manifestações culturais locais, mesmo sob pressão política.
Professores, arquitetos e profissionais relatam frustração com a economia e a incerteza sobre o futuro. Muitos destacam a falta de perspectivas para salários, contratos e estabilidade social.
As proporções de mobilização social variam por bairro. Grupos de jovens, trabalhadores e mulheres discutem liberdade e direitos, em meio a um cenário de repressão institucional e forte presença estatal.
No fim de tarde, a vida cultural persiste. Cafés lotados, mercados de rua e a prática de socialização continuam, mesmo diante de conflitos e pressões políticas internas.
Na Praça Vali-e Asr, um novo mural do falecido aiatolá Khamenei serve de pano de fundo para debates públicos sobre negociações com os EUA. A plateia discute, questiona e expressa opiniões diversas.
Entre as falas, há vozes contrárias à condução de negociações e outras que defendem estratégias diferentes, destacando o papel de líderes e de influências externas no debate nacional.
Em meio à agitação, jovens como Reyhaneh, estudante de microbiologia, acompanham os desdobramentos com cautela. A expectativa é por clareza sobre o papel do novo líder supremo e as negociações com o exterior.
Ao final do dia, Mustafa, vendedor de sapatos, permanece na calçada da loja iluminada. O clima é de expectativa pela chegada de soluções que solucionem a crise econômica e social, sem uma conclusão já anunciada.
Fonte: correspondente da BBC em Teerã acompanha a situação com dados públicos e relatos locais, sem divulgar contatos de outros portais.
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