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Lafarge é condenada por financiar terrorismo internacional

Condenação histórica da Lafarge pode redefinir atuação de multinacionais em zonas de conflito, elevando responsabilidades de dirigentes e exigindo controles mais rigorosos

Bruno Lafont, ex-diretor executivo do grupo Lafarge, no tribunal de Paris, na França, em 13 de abril de 2026
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  • A Lafarge, empresa francesa do setor de cimento, foi considerada culpada por pagar milhões de euros em subornos a grupos jihadistas, incluindo o EI, para manter operação na Síria durante a guerra (2011‑2024).
  • O tribunal também condenou oito ex‑diretores, incluindo o ex‑diretor‑executivo Bruno Lafont, com pena de até seis anos de prisão, com início imediato.
  • O dinheiro foi usado entre 2013 e 2014 para manter a fábrica de Jalabiya funcionando e para garantir acesso a matérias‑primas, totalizando cerca de 5,6 milhões de euros.
  • A decisão sustenta que os pagamentos ajudaram o EI a controlar recursos na Síria e financiar atentados, incluindo ações na França, como o ataque ao semanário Charlie Hebdo em 2015.
  • A Lafarge, que hoje integra o grupo Holcim, afirmou reconhecer a sentença, classificando o caso como marco para a conduta responsável em zonas de conflito e prometeu recorrer.

A Lafarge, empresa francesa de cimento, foi condenada por financiar grupos jihadistas na Síria para manter uma planta em funcionamento durante a guerra civil. A decisão, proferida pelo Tribunal Penal de Paris, aponta pagamentos entre 2013 e 2014 totalizando cerca de 5,6 milhões de euros.

O veredito responsabiliza oito ex-diretores, incluindo o ex-presidente Bruno Lafont, que recebeu seis anos de prisão com início imediato. A Lafarge, que hoje integra o grupo suíço Holcim, também foi considerada culpada pelos crimes de financiamento ao terrorismo internacional.

Segundo a sentença, a fábrica de Jalabiya, no norte da Síria, foi mantida operacional para assegurar acesso a matéria-prima e à segurança dos trabalhadores. Os recursos teriam contribuído para atos terroristas, inclusive ataques promovidos pelo EI, como o ataque a Charlie Hebdo em 2015.

Os promotores destacam que a empresa pagou a organizações jihadistas para manter a fábrica em funcionamento, com valores como 800 mil euros para segurança e 1,6 milhão de euros para compra de matérias-primas em áreas sob controle do EI. A investigação abrangeu dados de 2013 a 2014.

A defesa de Bruno Lafont contestou a condenação, alegando falta de provas e de demonstrações. Os advogados anunciaram recurso, apontando que a decisão pode ser revista em instância superior, conforme o sistema jurídico francês.

A Lafarge reconheceu a sentença, afirmando que os acontecimentos de mais de uma década violaram o código de conduta da empresa e classificou o veredito como um marco para operações em zonas de conflito. A empresa enfatizou que a situação herdada exige regras mais rígidas.

Especialistas consultados destacam o caráter histórico do caso, ao reconhecer responsabilidades corporativas em situações de terrorismo financeiro. A decisão pode exigir maior rigor na due diligence de multinacionais que atuam em áreas de conflito.

Para o meio jurídico, o caso sinaliza que grandes empresas podem ser punidas por decisões econômicas que alimentam organizações armadas. O impacto esperado envolve maior escrutínio sobre controles internos, logística e cadeia de suprimentos em contextos de guerra.

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