- Estudo da UEFA aponta que a troca isolada de treinador aumenta em dezenove por cento a carga de lesões musculares; quando há troca do treinador e do preparador físico, esse índice pode chegar a duzentos e setenta e seis por cento.
- No Brasil, oitenta e cinco por cento dos clubes da Série A mudaram de comando ao menos uma vez nos últimos doze meses, tornando o Brasileirão a sexta liga do mundo nesse quesito.
- Em 2026, até a décima rodada já foram onze demissões de treinadores, com o São Paulo substituindo dois técnicos no mesmo ano.
- A combinação de trocas de treinador e preparador físico eleva o tempo de afastamento por lesões de treze e meio semanas para quase quatro meses (de 16 para 45 dias perdidos a cada mil horas de treino e jogo).
- A continuidade de profissionais internos de preparação física reduz lesões, pois mantém familiaridade com o elenco e a metodologia de treino, ajudando a atenuar impactos de mudanças.
A troca de treinadores no futebol teve espaço ampliado nesta temporada e já começa a mostrar impactos além dos resultados. Um estudo da UEFA associa mudanças frequentes no comando técnico a aumento na carga de lesões musculares nos elencos.
A pesquisa acompanhou 14 clubes da elite europeia por três anos. Concluiu que apenas trocar o treinador eleva em cerca de 19% as lesões musculares, enquanto substituir também o preparador físico eleva esse índice para até 276%.
A direção técnica também é apontada como fator de ruptura. Ao chegar, a nova comissão costuma trazer alterações no método de preparação física, o que pode gerar sobrecarga para os atletas e exigir adaptação rápida.
Dado internacional
No cenário brasileiro, o estudo do CIES Football Observatory mostra que o Brasileirão foi a sexta liga com mais trocas de treinadores no último ano. Dos 20 clubes da Série A, 17 mudaram de comando ao menos uma vez, 85%.
A velocidade das mudanças tem sido intensa em 2026. Até a décima rodada, a média era de demissão de treinador por rodada, com 11 saídas já registradas antes da metade da temporada. O São Paulo teve dois treinadores dispensados no mesmo ano.
Impacto físico
O estudo aponta que o tempo de afastamento por lesões aumenta quando ocorre a troca de treinador associada à troca do preparador físico. A carga de lesões pode subir consideravelmente, com efeitos na recuperação e na rotina de treino.
O principal fator reside no método de preparação física. Protocolos diferentes, fisiologistas distintos e variações no treino alteram a resposta corporal dos atletas, elevando o risco em um calendário cada vez mais congestionado.
Em contrapartida, a continuidade de profissionais da preparação física ajuda a reduzir lesões. A familiaridade com o elenco e a manutenção de uma linha de preparação física são fatores protetores durante turbulências técnicas.
A pesquisa também aponta que mudanças abruptas costumam elevar a intensidade dos treinos, com jogadores buscando provar seu espaço, o que aumenta ainda mais a exposição física.
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