- Plantão da Globo completa 35 anos em 21 de maio, sendo conhecido pela vinheta de 10 segundos que interrompe a programação para notícias importantes.
- A trilha foi criada em um dia por João Nabuco a pedido do Boni, no estúdio de casa, sem referências visuais.
- O designer Hans Donner criou a identidade visual com microfones girando ao redor do planeta, buscando transmitir urgência e energia global.
- A ideia quase foi rejeitada pelo Borjalo por parecer “assustadora demais”; Boni aprovou a vinheta na hora.
- Hoje, o Plantão é acionado pela chefia de jornalismo, com contingência de operação em São Paulo; a trilha se tornou símbolo da televisão brasileira e gerou debates sobre atualização.
O Plantão da Globo completa 35 anos nesta quinta-feira, 21. A vinheta que interrompe a programação para notícias urgentes foi criada em um dia, por ordem de Boni, e quase não foi ao ar por soar assustadora para o público. A trilha foi produzida por João Nabuco, então com 25 anos, no estúdio de casa, sem imagens de referência.
O objetivo era estabelecer identidade sonora única para boletins extraordinários. O figurino sonoro ficou a cargo de Boni, que aprovou a música na hora, apesar de resistência inicial de Borjalo, o designer da Globo, que considerou o conjunto com os microfones girando demasiado inquietante.
A trilha, hoje com apenas 10 segundos, se tornou símbolo de grandes informações que interrompem a novela ou o filme e marcou acontecimentos marcantes ao longo de décadas.
A inspiração no rádio e a missão de Boni
A referência de Boni veio da infância, nos anos 1940, ao ouvir rádio durante a Segunda Guerra Mundial. A ideia era ter uma música de impacto semelhante, capaz de sinalizar urgência na televisão. Com esse desafio, Boni abriu um concurso interno entre maestros da emissora e selecionou João Nabuco como vencedor.
O designer Hans Donner foi quem traduziu a urgência musical em imagem. A proposta visual mostrava microfones girando ao redor de um globo, simbolizando a voz que se propaga pelo mundo. A coreografia de luzes e o andamento da trilha foram calculados para manter tensão sem perder elegância.
O criador que quase virou notícia
Hans Donner teve uma quase coincidência dramática com a própria trilha em 1997, quando sobreviveu a um acidente aéreo no Rio de Janeiro. O acidente não levou ao uso da vinheta naquele fim de semana, pois a história teve desfecho positivo.
Como o Plantão vai ao ar?
A interrupção da programação não depende de um botão vermelho, mas de decisão da chefia de jornalismo diante de uma notícia urgente. A escolha final cabe à sala de Controle de Programação da Globo, no Rio de Janeiro, com redundância de contingência na sede de São Paulo.
Um operador aciona a vinheta em um programa de computador, colocando o Plantão no ar. Hoje, a vinheta é reservada a notícias de impacto nacional; boletins regionais anunciam casos locais sem a trilha.
Perspectivas sobre uma possível atualização
Os criadores divergem sobre uma regravação. Nabuco já cogitou mesclar orquestra com sintetizadores, preservando o estilo, mas teme perder a identidade. Boni avalia adaptar o sinal para a era de consumo rápido, com versões mais curtas. Donner pensaria em menos elementos gráficos e mais energia e iluminação.
Curiosidades e legado
A trilha tornou-se objeto de interesse de uma emissora concorrente, que chegou a propor licenciamento, mas a Globo recusou. O tema, na internet, ganhou vida própria, com variações de uso popular. A obra é reconhecida como parte da cultura televisiva brasileira, mantendo-se basicamente inalterada ao longo de décadas.
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