- O crédito consignado teve alta expressiva, aumentando o endividamento das famílias e pressionando as construtoras, que temem impacto tanto nas vendas de imóveis quanto nos financiamentos aos consumidores.
- O risco é maior para moradias populares do programa Minha Casa Minha Vida, onde clientes costumam não ter poupança para entrada de 20% a 30%, gerando um financiamento por pro soluto com garantia do imóvel para o banco.
- O pro soluto não tem garantia em caso de inadimplência, o que eleva o risco à medida que o endividamento cresce e a parcela é descontada diretamente do contracheque.
- O crédito consignado no Brasil saltou de cerca de R$ 1,6 bilhão por mês até março de 2025 para mais de R$ 6 bilhões, atingindo pico de R$ 10,9 bilhões em março de 2026, segundo estimativas de especialistas.
- Economistas e executivos de MRV e Cury alertam que a maior oferta de consignado pode reduzir renda disponível e aumentar inadimplência em outras linhas, impactando carteira de crédito, aluguel e consumo, e exigindo monitoramento constante pelas construtoras.
O crédito consignado dispara e, aliado ao endividamento das famílias, acende o sinal amarelo para as construtoras. O temor é que menos renda disponível comprometa tanto vendas de imóveis quanto financiamentos aos compradores.
O risco é maior entre as obras de moradias populares, especialmente no âmbito do Minha Casa Minha Vida. Nessas situações, muitos clientes não têm poupança suficiente para 20% a 30% de entrada.
O modelo de financiamento pro soluto, usado pela construtora quando o comprador não pode pagar entrada, não oferece garantia caso haja inadimplência. O imóvel funciona como garantia para o banco.
Com o endividamento crescente e o crédito consignado, o risco de inadimplência pode se ampliar, afetando parcelas já comprometidas pelo consumidor. Especialistas destacam o peso do consignado privado na renda líquida.
A consolidação dos dados mostra que o consignado rendia cerca de R$ 1,6 bilhão por mês até março de 2025. O lançamento do Crédito do Trabalhador, com garantia do FGTS, levou o volume a ultrapassar R$ 6 bilhões e atingiu 10,9 bilhões em março de 2026.
Essa evolução beneficia bancos com termos mais atrativos, mas reduz a renda disponível dos trabalhadores, elevando o risco de inadimplência em outras contas como aluguel, cartão e serviços. O efeito é de pressão financeira sobre famílias.
Impacto nas construtoras e no mercado
Executivos destacam que a dinâmica do crédito pode reduzir a margem de segurança para financiamentos de imóveis. O processo pode restringir negociações e ampliar a demanda por cautela na concessão de crédito.
Comportamento das empresas.Unidades MRV e Cury
O diretor financeiro da MRV afirma que o cenário exige atenção, pois afeta a carteira de crédito e outras despesas do consumidor, mesmo sem elevar ainda a inadimplência da empresa. A MRV acompanha indicadores com cautela.
A Cury também monitora o quadro de perto. O desempenho de inadimplência ainda permanece sob controle, mas o grupo ressalta atenção a famílias mais endividadas e impactos nas negociações diárias.
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