- A Mater Dei enxerga oportunidade na crise da Oncoclínicas, que perdeu 1,2 mil médicos em doze meses, para ampliar atuação em oncologia e atrair profissionais da concorrente.
- A estratégia inclui ampliar radioterapia e quimioterapia, investir em mais equipamentos e aumentar receita da oncologia, que hoje representa cerca de 20% do total.
- A rede mineira pretende abrir unidade em São Paulo via joint-venture com a Atlântica Hospitais (49% da Mater Dei), com construção financiada pela Bradesco Seguros e gestão operacional pela Mater Dei; obra começa em junho e fica pronta no fim de 2028.
- O hospital paulista, batizado de Mater Dei Santana, terá investimento de 600 milhões de reais para construção, com 100 milhões de reais em equipamentos, e não deve concorrer diretamente com os outros hospitais construídos pela Atlântica em áreas próximas.
- No curto prazo, a Mater Dei mira expansão já nas unidades de Belo Horizonte e Salvador, onde o volume de procedimentos oncológicos teve alta expressiva; a empresa pretende investir cerca de 100 milhões de reais neste ano para projetos de crescimento e modernização.
A Rede Mater Dei vê espaço para expansão no segmento de oncologia diante da crise da Oncoclínicas, que registrou saída de médicos ao longo de 12 meses. O grupo mineiro, com atuação em seis estados, pretende ampliar a atuação na especialidade e atrair profissionais da concorrente.
Segundo a companhia, a oncologia já representa quase 20% da receita total e deve crescer 30% em 2026, puxando o crescimento da rede. A estratégia envolve aumentar o número de médicos por meio de contratação, ampliar procedimentos de radioterapia e quimioterapia e investir em equipamentos.
Os planos acontecem em meio a resultados gerais da Mater Dei, que emprega cerca de 8,2 mil funcionários não médicos e mantém cadastro aproximado de 10 mil médicos. A rede aposta em ampliar presença em Belo Horizonte e Salvador, onde a Oncoclínicas era forte.
A primeira operação em São Paulo
A entrada paulista envolve uma joint-venture com a Atlântica Hospitais, holding da Bradesco Seguros, na qual a Mater Dei ficará com 49%. A Bradesco financiará R$ 600 milhões para a construção do hospital, com a gestão operacional ficando com a Mater Dei. Os investimentos envolvem R$ 100 milhões em equipamentos.
A previsão é iniciar a obra em junho, com conclusão do Mater Dei Santana no fim de 2028. A parceria não visa competição direta na mesma região, segundo José Henrique Salvador, CEO da Mater Dei, que cita cláusula contratual que impede canibalização entre hospitais da Atlântica.
O projeto paulista mira uma área de Zona Norte, onde o público-alvo é estimado em dois milhões de habitantes, com cerca de 500 mil potenciais usuários de planos de saúde. A expectativa é alcançar um tíquete médio compatível com a região, ainda que menor que áreas de alto padrão como Morumbi.
Investimentos e cenário financeiro
Além de contratar mais médicos, a Mater Dei planeja investir cerca de R$ 100 milhões neste ano para ampliar infraestrutura, tecnologia e equipamentos. A rede já soma aproximadamente 1,4 mil leitos ativos, com ocupação de 84,3% no primeiro trimestre.
No 1º trimestre de 2026, a receita líquida da empresa atingiu R$ 575 milhões, alta de 15,1% ante 2025. Em 2025, a receita consolidada foi de R$ 2,17 bilhões, com avanço de 11,4%. As ações da empresa tiveram valorização de cerca de 12% nos últimos 12 meses.
A entrada em São Paulo marca a primeira operação da Mater Dei na capital paulista e ocorre em meio a investimentos para fortalecer a oncologia. A Atlântica D’Or, resultado da parceria entre Atlântica Hospitais e D’Or, já opera em outros projetos, influenciando o cenário de hospitais privados no Brasil.
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