- A Comissão Europeia reduziu a previsão de crescimento da zona do euro para 0,9% em 2026, contra 1,3% em 2025, com 1,2% em 2027.
- A inflação deve ficar em 3,0% em 2026 e 2,3% em 2027, ante 1,9% e 2,0% anteriormente.
- O aumento dos preços do petróleo acima de US$ 100 por barril eleva a inflação e reduz a confiança de empresas e consumidores.
- O Banco Central Europeu deve elevar os custos de empréstimos na reunião de 11 de junho, com possível sequência de alta nos próximos 12 meses.
- Existe um cenário alternativo em que, se o conflito durar mais, os preços de energia sobem mais e permanecem altos até o fim de 2027, retendo o crescimento e mantendo a inflação elevada.
A Comissão Europeia revisou em baixa as previsões para a zona do euro após a escalada do conflito no Oriente Médio, iniciado com a guerra envolvendo o Irã. O órgão informou que o choque energético elevou a inflação e complicou a recuperação econômica, com impactos dependentes da duração do confronto.
Segundo a instituição, a inflação deve desacelerar menos do que o esperado, mantendo pressão sobre empresas e consumidores. O PIB da zona do euro deve crescer 0,9% em 2026, ante 1,3% em 2025, com 1,2% em 2027. A estimativa anterior considerava 1,2% e 1,4%, respectivamente.
A atualização também elevou a projeção de inflação para 3,0% em 2026 e 2,3% em 2027, frente a 1,9% e 2,0%. Com isso, o BCE é visto com maior probabilidade de subir as taxas de juros na reunião de 11 de junho, para conter a inflação.
Risco principal é a duração do conflito
A Comissão destacou que o principal risco é a duração do confronto no Oriente Médio. Os números consideram dados até o fim de abril e início de maio, com o Estreito de Ormuz ainda efetivamente fechado. Um cenário alternativo prevê choque mais prolongado, com energia atingindo pico no fim de 2026 e só voltando ao normal no fim de 2027.
No cenário adverso, as previsões indicam queda substancial no crescimento para este e o próximo anos, em torno da metade. A projeção principal aponta consumo doméstico como motor do crescimento, apesar da confiança do consumidor ter recuado a um mínimo de 40 meses.
A Comissão lembra que fatores como financiamento mais restrito, lucros mais baixos e incerteza continuam a restringir o investimento empresarial, enquanto demanda externa fraca pesa sobre as exportações. A instituição ressalta, porém, que a economia europeia está mais preparada para choques, graças a investimentos em diversificação, descarbonização e redução do consumo de energia.
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