- O economista Adolfo Sachsida elabora o “Projeto Brasil” para subsidiar o plano econômico de Flávio Bolsonaro, visando uma ruptura com o modelo de expansão estatal.
- Entre 2023 e 2026, o Brasil criou ou aumentou vinte e sete tributos, elevando a carga tributária a sessenta e dois vírgula quatro por cento do PIB, com a dívida indo de setenta e um vírgula sete para oitenta por cento do PIB.
- O núcleo do projeto defende estabilizar as contas públicas por meio de uma âncora fiscal baseada na relação dívida/PIB, substituindo metas de resultado primário.
- As medidas propostas passam por privatizações e concessões, auditoria de subsídios e “amigos do rei”, e digitalização dos serviços públicos para reduzir custos e ampliar transparência.
- O plano prevê reduzir a intervenção do Estado na economia, incentivar a concorrência, desburocratizar setores estratégicos e manter o Bolsa Família, com eventual uso de inflação como indexador de gastos em saúde e educação.
O economista Adolfo Sachsida elaborou o que chama de “Projeto Brasil”, apresentado para subsidiar o plano econômico de Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL. O documento reúne diagnósticos e medidas para um novo rumo fiscal e econômico.
Entre 2023 e 2026, o Brasil criou ou aumentou 27 tributos, segundo o projeto, o que gerou uma nova arrecadação a cada 37 dias. A carga tributária chegou a 32,4% do PIB, conforme os textos do grupo.
A dívida pública avançou de 71,7% para 80,1% do PIB no período, elevando a taxa de juros estrutural e pressionando o investimento privado, aponta o diagnóstico do projeto.
Flávio Bolsonaro planejava apresentar as propostas a investidores na Avenida Faria Lima, em São Paulo, e a empresários, em dois encontros na capital, para mostrar linhas do programa econômico.
O plano aponta a proteção de renda e a estabilidade das contas públicas como prioridades, defendendo a manutenção de programas como o Bolsa Família e ressaltando que responsabilidade fiscal sustenta a inflação sob controle.
Sachsida, que já foi secretário de Política Econômica e ministro das Minas e Energia, também atuou no Ipea por mais de 20 anos. Em janeiro foi indicado para atuar junto à defesa de Bolsonaro em processo relacionado a movimentos políticos.
De acordo com a Folha, dezenas de especialistas ajudam a formatar medidas legislativas e decretos que poderiam ir a prática em 2027, caso Flávio vença as eleições. Sachsida não comentou oficialmente o conteúdo.
A proposta central envolve uma mudança na regra fiscal: substituir metas de resultado primário por uma âncora baseada na trajetória dívida/PIB, buscando impedir crescimento público acima da renda nacional.
Para reduzir a carga tributária sem ampliar déficits, o projeto aponta três frentes: privatizações e concessões, auditoria de subsídios e programas de digitalização dos serviços públicos.
Entre as medidas discutidas estão a desvinculação do salário mínimo dos reajustes da Previdência e o uso da inflação como indexador de gastos com saúde e educação, em vez da receita de impostos.
O núcleo do projeto defende o papel do setor privado como motor do crescimento, com o Estado assegurando estabilidade macro e infraestrutura crítica, além de promover concorrência e igualdade de oportunidades.
A ideia é substituição de políticas de “campeões nacionais” por uma abordagem horizontal, com menos barreiras à competição e maior eficiência na alocação de recursos públicos.
Para destravar investimentos, o texto aponta o fim da paralisia regulatória e cita atrasos na mineração e em áreas ricas da região amazônica, que, segundo o plano, dificultam novos projetos.
Geopoliticamente, o projeto projeta o Brasil como porto seguro para investimentos e potencial polo de manufatura avançada, desde que haja marcos regulatórios ágeis e previsíveis.
A nota ressalta ainda a importância da estabilidade institucional como pilar de crescimento, sem mencionar episódios anteriores envolvendo Bolsonaro ou ações judiciais associadas.
Entre na conversa da comunidade