- Medida provisória assinada pelo presidente Lula criou a linha de crédito Move Brasil, de até R$ 30 bilhões, para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem veículos novos com juros reduzidos, vigência a partir de 19 de junho.
- Veículos elegíveis custam até R$ 150 mil e precisam ser sustentáveis (flex, híbridos flex, elétricos 100% ou movidos a etanol); carros apenas a gasolina ou diesel ficam fora; 12 montadoras participam inicialmente.
- O crédito será autorizado por instituições financeiras com recursos do BNDES; juros, prazos e condições deverão ser definidos pelo Conselho Monetário Nacional nos próximos dias.
- Requisitos: motoristas de aplicativo precisam ter cadastro ativo em uma plataforma há pelo menos 12 meses e mínimo de 100 corridas em uma única plataforma; taxistas devem apresentar matrícula ativa da licença.
- A Confederação Nacional dos Transportes criticou o Move Brasil, citando agravamento de congestionamentos, enquanto analistas destacam o objetivo político de tentar alcançar esse eleitorado.
O governo lançou uma linha de crédito de até 30 bilhões de reais destinada a taxistas e motoristas de aplicativo para financiar veículos novos com juros reduzidos. A Medida Provisória foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passou a vigorar no dia 19 de junho. O objetivo é facilitar a aquisição de carros mais modernos e com menor impacto ambiental.
Segundo o analista de Economia Fernando Nakagawa, a medida tem um componente político relevante. Ele aponta que o público-alvo não é próximo do presidente e não votou majoritariamente nele nas últimas eleições. O movimento é visto como uma tentativa de aproximação com esse eleitorado.
Nakagawa destaca ainda que muitos motoristas se encaixam no perfil de empreendedor e podem ver a atuação do PT como um ajuste de comunicação com trabalhadores. Ele vê a iniciativa como uma tentativa de construir uma ponte com esse segmento.
Nesta quarta-feira, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, disse ter o objetivo de incluir motoristas de aplicativo na Previdência. A declaração reforça o tom de integração social promovido pela agenda.
A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) criticou o Move Brasil, afirmando que congestionamentos já impactam deslocamento urbano. A entidade teme que a medida aumente a participação do transporte privado na mobilidade.
Apesar das críticas, Nakagawa ressalta que o financiamento não é para uso exclusivo particular, mas para atividade de transporte por aplicativo. Ele vê o Move Brasil como um canal de transição entre transporte privado e público.
Como funciona o Move Brasil
O programa contempla carros de até 150 mil reais, com critérios de sustentabilidade. Podem participar veículos flex, híbridos flex, elétricos 100% ou movidos a etanol, excluindo apenas híbridos com gasolina ou diesel.
Inicialmente, 12 montadoras integram o programa: VW, Fiat, Renault, GM, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Toyota, BMW, BYD e GWM. Motoristas interessados devem usar o portal GovBR, onde haverá um banner do Move Brasil.
As taxas de juros ainda serão definidas em reunião do Conselho Monetário Nacional. Os recursos chegam ao crédito por meio do BNDES, com autorização de instituições financeiras.
Para ter acesso, motoristas de aplicativo precisam ter cadastro ativo em uma plataforma há pelo menos 12 meses e ter realizado, no mínimo, 100 corridas nesse período em uma única plataforma. Corretores com cadastro em várias plataformas não somam corridas.
Taxistas precisam apresentar a licença de táxi com matrícula ativa. Pessoas com nome negativado podem tentar o crédito, mas a chance de aprovação é menor.
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