- Associações do setor financeiro divulgaram nota conjunta apoiando a autonomia financeira do Banco Central após o apelo de Gabriel Galípolo no Senado.
- Galípolo disse que a economia aquecida e o baixo desemprego ajudam a explicar juros ainda altos; choques de oferta têm pressionado os preços.
- O presidente do BC afirmou que a inflação tem superado o teto da meta e que a taxa de juros é o instrumento para levá-la à meta, destacando dificuldades de liquidantes após recorde de liquidações extrajudiciais.
- Sobre o Banco Master, ele explicou que o problema foi uso de recursos captados, não a captação via CDBs, com descasamento entre ativos e passivos dificultando resgates; a liquidação não deve punir controladores.
- Galípolo comentou que o acordo com Campos Neto foi conduzido pelo Comitê de Decisão de Termo de Compromisso, sem participação da diretoria, com pagamento de R$ 300 mil; a venda do Master ao BRB foi vetada pelo BC em setembro de 2025.
Associações do setor financeiro divulgaram uma nota conjunta em apoio à autonomia financeira do Banco Central, após o apelo feito por Gabriel Galípolo no Senado. O objetivo é reforçar a independência na gestão da política monetária.
O BC tem defendido a manutenção de instrumentos de política para levar a inflação à meta, mesmo diante de fatores como inflação elevada, choques de oferta e guerras comerciais. Galípolo destacou que a inflação tem superado o teto de 3% por períodos, justificando a necessidade de juros mais elevados.
O presidente do BC também mencionou dificuldades em operações de liquidação extrajudicial desde 2025, com desafios para encontrar liquidantes para administrar ativos e pagar credores, após 13 decisões de liquidação no período.
Independência financeira e casos específicos
Galípolo explicou que o caso do Banco Master envolveu o uso de recursos captados da rede de varejo, garantidos pelo FGC, para aplicações de maior risco, gerando descompasso entre ativos e passivos e dificultando resgates.
Sobre o BRB, ele afirmou que bancos com problemas de patrimônio requerem aporte dos sócios; a venda de ativos pode resolver liquidez, mas não necessariamente o patrimônio, dependendo da injeção de recursos.
Na audiência, o presidente do BC negou qualquer intento de viabilizar a venda do Master ao BRB, afirmando que a proposta de aquisição foi vetada pelo BC em 2025 e que o TCU questiona a atuação do órgão.
Acordo com Campos Neto e condução técnica
Galípolo reiterou apoio ao termo de compromisso assinado por Roberto Campos Neto, ressaltando que o acordo foi conduzido pelo Coter, sem participação da diretoria, em caráter técnico e apolítico. O termo, de 2 de junho de 2025, prevê pagamento de 300 mil ao BC por irregularidades em contratos de câmbio com o Santander, envolvendo valores expressivos entre 2015 e 2017.
O plenário acompanhou perguntas sobre possíveis vantagens indevidas ao ex-presidente, com Galípolo ressaltando que a avaliação não indicou favorecimentos e que a condução técnica busca evitar perseguições.
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