- Prefeituras contrataram mais trabalhadores formais em 2025 do que a soma das privadas não estatais, com 1,18 milhão de vínculos municipais contra 1,03 milhão no privado.
- O emprego formal total cresceu 5% no ano, chegando a 2,8 milhões de novas vagas.
- A remuneração média do setor público caiu 2,3%, enquanto a média do setor privado caiu 0,3%.
- 755 mil contratos temporários foram assinados pelas prefeituras em 2025, o maior crescimento entre os vínculos formais (alta de 68%).
- Regiões Norte e Nordeste tiveram crescimento mais intenso de admissões formais, contribuindo para a queda da renda média, já que os salários nessas regiões são mais baixos.
A prefeitura brasileira abriu mais vagas formais em 2025 do que o conjunto das empresas privadas não estatais, segundo a Rais. O Ministério do Trabalho divulgou os números recentemente, destacando a influência de contratações temporárias com salários menores. A tendência, impulsionada por prefeituras, derrubou a remuneração média do setor público.
Ao todo, a administração municipal abriu 1,18 milhão de vínculos formais no ano passado, ante 1,03 milhão no setor privado não estatal. O emprego formal no país cresceu 5% em 2025, somando 2,8 milhões de novas vagas. No privado, a remuneração média caiu 0,3%; na soma de todos os trabalhadores houve queda de 0,5%.
Mudança de perfil
Especialistas apontam que a queda da renda média não representa corte geral de salários, e sim mudança no perfil dos contratados. O funcionalismo federal cresceu 7,2% e o estadual 10,3% em 2025, enquanto o municipal teve alta de 18,2%. A Rede de prefeitas reforça atuação em saúde, educação, assistência social e, em alguns casos, segurança pública com guardas municipais.
O aumento de contratações municipais ficou, em parte, por meio de contratos temporários, que costumam pagar salários menores. A Rais registra 755 mil temporários em 2025, o maior crescimento entre os vínculos, com alta de 68%. O modelo oferece mais flexibilidade para gestores, mas pode abrir espaço para uso político em some cidades.
Para pesquisadores, o aumento está ligado a gastos públicos ampliados e a transferências a estados e municípios. A mudança do arcabouço fiscal, com fim de teto de gastos e recuperação do PIB pós-pandemia, também contribuíram para maior contratação municipal. Em alguns contextos, a restrição fiscal pode frear esse ritmo.
Panorama regional e impactos
A evolução ocorreu com maior intensidade nas regiões Norte e Nordeste, onde os salários médios são menores e o crescimento de vínculos ficou em 10,1%, acima da média nacional. Além disso, houve incremento de contratações de aprendizes, trabalhadores com jornada reduzida e contratos intermitentes, que somaram 539 mil vínculos ativos.
A tendência de maior participação de jovens e de trabalhadores com perfis variados potencializa o aumento da massa de profissionais formais no país. Mesmo com a queda na remuneração média, o total de vínculos ativos fechou 2025 próximo aos 60 milhões, recorde histórico da Rais.
Entre na conversa da comunidade