- Brasil perdeu espaço no radar de grandes investidores estrangeiros; o foco está nos Estados Unidos e em mercados asiáticos ligados à tecnologia e aos semicondutores.
- Em fevereiro, o Brasil recebeu R$ 15,4 bilhões de capital estrangeiro, o maior volume para o mês nos últimos quatro anos, mas a escalada da tensão no Oriente Médio trouxe volatilidade e freou esse fluxo.
- O apetite de investidores internacionais ficou mais voltado para câmbio e renda fixa, com o carry trade ganhando força, o que deixou a bolsa brasileira em segundo plano.
- Mercados emergentes mais atrativos, segundo o Goldman Sachs, são Coreia do Sul e Taiwan; China fica fora por não entregar os retornos esperados e por questões demográficas.
- Nos EUA, mantém-se a alocação acima da média; o Fed deve manter os juros estáveis em 2026, as grandes companhias americanas continuam impulsionando lucros e o cenário geopolítico e de petróleo pode impactar a economia global.
Matheus Dibo, head global de alocação do Goldman Sachs, afirma que o Brasil perdeu espaço no radar de grandes investidores estrangeiros em 2026. O executivo disse que o apetite global está hoje mais direcionado aos EUA e a mercados asiáticos ligados a tecnologia e semicondutores.
Dibo, baseado em Londres, com 16 anos no banco, comanda uma equipe de quase 30 profissionais. O objetivo é identificar oportunidades de investimento diante das mudanças macroeconômicas ao redor do mundo. O contexto envolve tensões geopolíticas e inflação ainda elevada.
Apesar de fevereiro ter registrado fluxo recorde de capital estrangeiro para o Brasil — R$ 15,4 bilhões, o maior para o mês em quatro anos —, os meses seguintes mostraram volatilidade. A escalada no Oriente Médio e o início da guerra no Irã reduziram o apetite externo.
Ele explica que o maior interesse hoje está em câmbio e renda fixa, puxado pela taxa de juros elevada, o que favorece estratégias de carry trade. Assim, a bolsa brasileira fica em segundo plano para muitos investidores globais.
Segundo o relatório trimestral do Citi Wealth, a proteção de portfólios passa pela exposição a ações de grandes empresas americanas. As Magníficas geraram US$ 2,3 trilhões em receitas em 2025, com US$ 660 bilhões investidos em pesquisa e US$ 600 bilhões em lucro no ano passado.
Forbes: por que o Brasil tem menor alocação de capital em relação aos mercados globais?
Matheus Dibbo: a escala é o ponto central. US$ 90 trilhões em renda fixa e variável nos EUA contra cerca de US$ 500 bilhões no Brasil. A diversificação setorial e a exposição a IA ainda são limitadas por aqui.
Forbes: quais emergentes têm sido mais recomendados?
Dibo: Coreia do Sul e Taiwan ganham destaque. Fabricantes de semicondutores e memória se beneficiam do capex norte-americano. Para exposição à IA com valuations mais atrativos, esses mercados são opções viáveis.
Forbes: há risco de bolha de IA? Como avaliam?
Dibo: há uma bolha de lucros, não de preços. As sete Magníficas devem continuar gerando grande parte da receita com IA, com receitas de US$ 2,3 trilhões em 2025 e lucro de US$ 600 bilhões.
Forbes: como o cenário nos EUA influencia as alocações?
Dibo: mantemos overweight nos EUA. O país segue como o maior mercado pela capacidade de geração de lucro das empresas, acompanhando alta de lucros e valorização do S&P 500.
Forbes: e o panorama político americano?
Dibo: o governo enfrenta queda de aprovação, o que pode exigir maior negociação para aprovações. A expectativa é de incerteza política se a Câmara e o Senado sofrerem mudanças.
Forbes: impacto da política monetária do Fed?
Dibo: a previsão é de juros estáveis ao longo de 2026, com a economia gerando empregos acima do necessário e inflação pressionada pela energia. Não há sinal de cortes acelerados.
Forbes: e a guerra e o petróleo?
Dibo: a duração do conflito é a variável central. Se se prolongar, pode pressionar a economia global e elevar o risco de recessão.
Forbes: qual o impacto para a economia americana?
Dibo: os EUA mantêm vantagem estrutural, com produção de petróleo de 13,6 milhões de barris/dia. Consumidores enfrentam menor peso do petróleo, com gasolina representando cerca de 2% do consumo, aliados a estímulos tributários.
Observa-se, portanto, que o Goldman Sachs mantém visão de maior peso aos EUA e materiais de tecnologia, enquanto o Brasil recebe menor centralidade entre os grandes investidores globais.
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