- O Brasil deve ter exportações recordes de café em 2026/27, com a safra deste ano “muito provavelmente” a maior da história, segundo Carlos Santana, da exportadora Eisa.
- A expectativa de alta nas remessas ocorre após 2025/26 ter registrado queda, com estoques baixos no mercado mundial.
- A colheita 2026/27 já começou, com cerca de 5% da safra organizada, principalmente em Rondônia, Espírito Santo e, na maior parte, Minas Gerais e São Paulo.
- A Eisa não confirmou números, mas a estimativa é de proximar de 50 milhões de sacas de café verde exportadas na nova safra.
- O El Niño pode, em 2027/28, favorecer a safra ao reduzir riscos de geadas, embora possa causar problemas se as chuvas de setembro a outubro de 2026 forem insuficientes.
O Brasil deve registrar exportações de café em 2026/27 (julho a junho) em nível recorde, segundo o diretor comercial da Eisa. A expectativa acompanha a provável maior safra da história, com impactos positivos nos embarques a partir de julho ou agosto.
A aposta soma-se a uma temporada 2025/26 mais fraca, com estoques baixos no mercado mundial. A queda anterior favorece a recomposição de estoques e elevação das exportações no próximo ciclo, conforme avaliação de executivos da Eisa.
Atualmente, o país já iniciou a colheita 2026/27, com cerca de 5% da safra apanhada em Rondônia, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. O destaque fica para canéfora (robusta e conilon).
O otimismo da Eisa é de que, à medida que a colheita avança, os embarques vão surpreender positivamente nos últimos meses de 2026. A safra brasileira deve impulsionar exportações e reforçar estoques mundiais.
O diretor da Eisa não especificou números oficiais, mas comentou que as exportações de café verde no novo ano-safra podem chegar a quase 50 milhões de sacas de 60 kg.
Em 2024, o Brasil alcançou o recorde anterior, com 46,3 milhões de sacas de café verde exportadas. Quando computado o produto industrializado, as cifras passaram de 50 milhões de sacas.
Consultorias privadas projetam produção de mais de 70 milhões de sacas para 2026/27, com crescimento do arábica. A StoneX aponta 75,3 milhões de sacas, incentivadas por clima favorável e investimentos após preçosRecorde.
A projeção de alta contrasta com a estimativa de 2025/26, quando o total exportado caiu para cerca de 38 milhões de sacas, segundo o Cecafé. O recuo ocorreu por safra abaixo do potencial e restrições de envios aos EUA.
Para maio e junho de 2026, o Cecafé prevê exportações de pouco mais de 6 milhões de sacas, mantendo o cenário de recuperação a partir do segundo semestre. A temporada anterior enfrentou dificuldades por tarifas dos EUA.
Santana, da Eisa, destacou que o impulso dos embarques deve ocorrer com parte da safra já colhida. Os estoques mundiais permanecem baixos, o que favorece a tomada de decisão de venda dos produtores.
Efeito El Niño
O especialista da Eisa avaliou que o El Niño em formação pode, inicialmente, beneficiar a safra 2027/28, com clima mais quente reduzindo geadas no inverno. Contudo, chuvas insuficientes entre set/out de 2026 podem comprometer as floradas.
Segundo o analista, esse fator climático tende a influenciar a estratégia de venda do produtor, em função das condições climáticas previstas para o próximo ciclo. A avaliação também lembrou a percepção de que El Niño afeta mais o robusta.
Fernando Maximiano, consultor da StoneX, ressaltou que o preço recorde recente impulsionou investimentos nas lavouras e novos plantios, ajudando a mitigar impactos climáticos. O impacto do El Niño sobre o arábica tende a ser menor que sobre o robusta.
A profusão de investimentos e adoção de tecnologia permanece como variável-chave para manter o potencial de colheita, caso as condições climáticas se mantenham estáveis.
Entre na conversa da comunidade