- O MDic investiga concorrência desleal de filamentos contínuos de poliamida 6/6, usados em malhas para roupas de atividade física.
- A análise aponta dumping de US$ 2.726,90 por tonelada e possibilidade de taxa de 108,1%, o que poderia elevar em até trinta por cento o preço de roupas feitas com esse insumo.
- O documento técnico, de 23 de abril, indica desequilíbrio nas exportações para o Brasil; o processo é movido pela Abrafas desde julho de 2024.
- A aplicação da sobretaxa poderia impactar cerca de 1,63 milhão de empregos na cadeia têxtil, incluindo 230 mil diretos e 1,4 milhão indiretos.
- A decisão depende de deliberação do Gecex-Camex, seguindo regras da Organização Mundial do Comércio; o MDic destaca que análises de impacto consideram interesse público.
O MDic investiga concorrência desleal de produtos estrangeiros contra a produção brasileira de filamentos contínuos de náilon, usados na fabricação de malhas para roupas fitness. A apuração pode resultar em taxação de até 108,1% sobre a matéria-prima, elevando preços de até 30% no varejo.
A análise, em andamento, aponta desequilíbrio nas exportações para o Brasil. O documento de 23 de abril sugere dumping de US$ 2.726,90 por tonelada do fio PA6/PA6,6, material-chave para tecidos elásticos e leves.
Dados de arrecadação
Entre agosto e dezembro de 2024, a importação em análise moveu R$ 1,679 bilhão; em 2025, estimam-se R$ 4,719 bilhões; de janeiro a abril de 2026, já somam R$ 1,856 bilhão. Os números ajudam a embasar a avaliação de medidas antidumping.
Impacto na indústria
Caso a sobretaxa seja aplicada, fabricantes nacionais estimam alta de até 30% no preço de roupas feitas com o fio. A decisão pode afetar 1,63 milhão de empregos na cadeia têxtil, com 230 mil diretos e 1,4 milhão indiretos.
Reações e defesa
Executivos do setor alertam que sobretaxa elevada sobre um insumo não produzido no Brasil pode inviabilizar parte da produção. Representantes do Sintex destacam impacto estrutural no varejo, no consumidor e no emprego.
Tramitação e próximos passos
O MDic esclarece que a análise segue regras da OMC e tratará, posteriormente, da decisão no Camex, órgão que reúne 10 ministérios. A conclusão não determina a aplicação automática de direitos antidumping.
Quem move a ação
A iniciativa é da Abrafas, associação de fabricantes de fibras artificiais. A entidade ingressou com a petição em julho de 2024, buscando medidas para reduzir o impacto da suposta concorrência desleal.
Entre na conversa da comunidade