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IA redefine filtros na matemática; sobram relação humana, diz Edu Lyra

Edu Lyra aponta que IA valoriza relações humanas nas favelas; risco é perder licença social se não criar impacto positivo

‘As empresas de IA têm de entender que precisam criar um impacto social positivo’, diz Lyra
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  • Edu Lyra, fundador da organização não governamental Gerando Falcões, afirma que, com a inteligência artificial, a matemática deixa de ser o principal filtro e a relação humana passa a ser o diferencial no acesso a oportunidades.
  • A entrevista destaca que a IA pode valorizar habilidades interpessoais de moradores de favelas, desde que o avanço tecnológico traga mais resultados do que riscos e preserve a licença social para inovar.
  • A Gerando Falcões atua há quinze anos em cinco mil comunidades pobres e busca preparar esse público para a revolução tecnológica, conectando essas comunidades à economia formal.
  • No São Paulo Innovation Week, que ocorre de 13 a 15 de maio, Lyra admite que o momento pode ser decisivo para as favelas, desde que haja desenvolvimento de competências emocionais e empreendedorismo.
  • A organização aponta medidas como o programa Decolagem, mentoria de mulheres empreendedoras e o mécanico do ‘dignômetro’ (medidor de dignidade) para levar pessoas da pobreza a trajetórias de qualidade de vida, com foco em inclusão digital e oportunidades de trabalho.

Edu Lyra, fundador da ONG Gerando Falcões, aposta na IA como desafio e oportunidade para as favelas. Em 15 anos, a instituição já atua em 5 mil comunidades e busca preparar moradores para a era da inteligência artificial.

Segundo Lyra, a matemática deixa de ser o principal filtro de acesso a oportunidades. Com IA, o valor passa pela relação humana, pelo diagnóstico de problemas e pela capacidade de mobilizar pessoas para soluções coletivas.

A ideia é aproveitar habilidades naturais de convivência, cooperação e resiliência das comunidades para gerar valor em um cenário de automação. O foco está em oportunidades com IA como aliada.

Lyra participa do São Paulo Innovation Week, entre 13 e 15 de maio, no Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado. O evento é organizado pelo Estadão e reúne diferentes pilares de inovação.

IA e o futuro do trabalho nas favelas

Para o empreendedor, o uso da IA pode favorecer quem não tem diplomas técnicos formais. O valor está na capacidade de identificar problemas, engajar pessoas e criar soluções através de relações humanas.

A adoção de IA também tende a ampliar o empreendedorismo local. Mulheres empreendedoras já recebem apoio financeiro para criar renda na vizinhança, com exemplos como roteirização de conteúdos utilizando IA.

A conectividade é vista como ponte para reduzir o gap digital. O chamado dignômetro mede acesso à internet e, com conectividade, famílias ganham acesso a cursos e ferramentas digitais.

Inserção no mercado formal e riscos

Lyra aponta que há oportunidades de emprego, como em projetos de saneamento, que demandam muita mão de obra. Ao mesmo tempo, há receio de que atividades simples sejam automatizadas, afetando jovens iniciantes.

Ele sugere que universidades e empresas adaptem capacitações, com ênfase em habilidades emocionais. A ideia é preparar jovens para ambientes de alta tecnologia sem depender apenas de formação tradicional.

A visão de longo prazo é manter o ser humano no centro das relações de trabalho. A IA deve automatizar tarefas burocráticas, liberando tempo para ações de mentoria e desenvolvimento humano.

Decolagem e impacto social

A ONG usa o programa Decolagem, com mentoras nas comunidades. Mulheres são destacadas, por influenciarem trajetórias familiares e combaterem o ciclo da pobreza com renda e educação.

O método envolve o dignômetro: perguntas simples para monitorar progresso. Em dois anos, famílias passam por uma trilha de capacitação que pode romper o ciclo de pobreza.

Lyra ressalta a necessidade de responsabilidade social das empresas de IA. Produtos que não gerarem impacto positivo podem perder a licença social para operar.

Sobre a missão e o futuro

A instituição nasceu em Guarulhos, a partir de uma história de superação de vida da família de Lyra. A mensagem central é que dignidade é a saída da pobreza, não apenas riqueza.

Ele reforça que o Brasil precisa investir em pessoas, especialmente as mais pobres, para que tenham oportunidades reais no mercado de trabalho. O objetivo é ampliar a ascensão social sem dependência de assistencialismo.

A experiência de 15 anos mostra que jovens buscam trajetórias digitais e empreendedorismo. A Gerando Falcões procura unir esses conteúdos a uma narrativa de ascensão por meio de ações concretas.

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