- A USA Rare Earth anunciou a aquisição da mina Serra Verde, no Goiás, pagando US$ 2,8 bilhões pela compra da única mina de terras raras do Brasil.
- O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, após aprovações regulatórias.
- O acordo prevê 100% de participação no Grupo Serra Verde, com US$ 300 milhões em transferências e 126,849 milhões de ações da USAR emitidas como pagamento.
- A Serra Verde já opera desde 2024, tem contratos de fornecimento de quinze anos com entidades do governo dos EUA e demanda cerca de 6.400 toneladas métricas de óxidos de terras raras por ano.
- A empresa projeta EBITDA anualizado entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões até o fim de 2027, e espera que a produção represente mais da metade do suprimento de terras raras pesadas fora da China até 2027.
A USA Rare Earth anunciou a compra da única mina de terras raras do Brasil, a Serra Verde, localizada em Serra Verde, Goiás. O acordo foi divulgado nesta segunda-feira e envolve um valor de US$ 2,8 bilhões, com conclusão prevista para o terceiro trimestre de 2026.
A Serra Verde é uma operação de capital privado, com participação de Denham Capital, EMG, Vision Blue e outras entidades. A empresa australina de mineração já confirmou o negócio e detalhou as condições de pagamento, incluindo transferência de US$ 300 milhões e a emissão de 126,849 milhões de ações ordinárias da USAR.
Estrutura do acordo
Segundo a nota, o fechamento depende de aprovações regulatórias e deve ocorrer até o 3º trimestre de 2026. O preço da ação da USAR era de US$ 19,95 na sexta-feira anterior, o que resulta em um valor aproximado de US$ 2,530 bilhões apenas em ações.
A Serra Verde opera com licenças completas e entrou em produção em 2024, após investimento superior a US$ 1,1 bilhão. Além disso, recebeu financiamento de US$ 565 milhões da DFC, órgão do governo dos EUA, para explorar terras raras.
Capacidade e impactos
A mineradora brasileira estimula a produção de aproximadamente 6.400 toneladas métricas de TREO por ano, com expectativa de atingir EBITDA anual entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões até o fim de 2027. A operação representa mais de 50% do fornecimento de terras raras pesadas fora da China até 2027, segundo a empresa.
O negócio integra uma estratégia de segurança de abastecimento global de terras raras, com contrato de fornecimento de 15 anos com uma SPV capitalizada por entidades do governo dos EUA e financiadores privados, cobrindo Nd, Pr, Dy e Tb.
Relevância regional e geopolítica
Thras Moraitis, CEO do Serra Verde, afirmou que o setor de terras raras no Ocidente vive um ponto de inflexão, com demanda crescente por fontes confiáveis. Já Barbara Humpton, CEO da USAR, descreveu a aquisição como um passo transformador para consolidar a cadeia de suprimentos global de terras raras.
No Brasil, discute-se a criação de uma estatal para minerais críticos, a proposta Terrabras, em meio a pressões dos EUA por acordos bilaterais. O governo brasileiro ainda não respondeu formalmente aos planos norte-americanos.
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