- José Hiran Gallo, presidente do Conselho Federal de Medicina, participou do JR Entrevista para falar sobre o Enamed e temas de ensino médico e segurança do paciente.
- Ele apoia o exame de proficiência, mas criticou o modelo da Medida Provisória 1.370, defendendo que a avaliação seja realizada pelo CFM, com pelo menos 300 questões e uma etapa prática.
- Gallo destacou problemas na qualidade das 450 faculdades de medicina, citando que, no último Enamed, cerca de 14 mil estudantes tiveram notas insuficientes.
- Sobre a distribuição de médicos, afirmou haver 750 mil profissionais no Brasil, mas faltam políticas para fixá-los no interior e ampliar vagas de residência, além de desafios como achatamento salarial e dívidas do Fies.
- Em segurança do paciente, confirmou o banimento do PMMA para fins estéticos por riscos, alertou contra canetas emagrecedoras sem prescrição e disse que a inteligência artificial não substituirá o diagnóstico humano.
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, concedeu uma entrevista ao JR Entrevista nesta quarta-feira (24). O tema central foi o Enamed, a qualidade do ensino médico no Brasil e a distribuição de profissionais, além de questões de segurança do paciente.
Gallo criticou a abertura indiscriminada de faculdades de medicina e avaliou a Medida Provisória 1.370. Defendeu que o exame de proficiência seja organizado pelo próprio CFM, com pelo menos 300 questões e uma etapa prática. Afirmou que aprender medicina à distância não é adequado.
O dirigente destacou que 450 faculdades existem no país e que, no último Enamed, cerca de 14 mil estudantes tiveram notas insuficientes. Apontou falhas na fiscalização do MEC e a pouca presença de hospitais universitários como entraves à qualidade.
Exame e qualidade da formação
No debate, Gallo reforçou a necessidade de maior rigor na avaliação, e criticou o modelo atual que terceiriza a aplicação da prova para o Inep. Ressaltou que a carreira exige prática junto ao paciente para formação adequada.
Ele ainda cobrou melhorias na fiscalização de novos cursos e na distribuição regional das vagas, citando a falta de hospitais universitários como obstáculo à formação prática. A defesa é por melhoria constante da formação médica.
Distribuição de médicos e políticas públicas
Gallo afirmou haver cerca de 750 mil médicos no Brasil, mas criticou a falta de políticas públicas para fixá-los no interior e ampliar vagas de residência. Apontou o achatamento de salários e dívidas do FIES como entraves de início de carreira.
Também citou a necessidade de incentivo à fixação de médicos no interior e de infraestrutura para residência, para reduzir centralização em capitais e grandes centros.
Segurança do paciente e regulamentação de insumos
O presidente abordou a restrição ao PMMA para fins estéticos, por riscos de necrose e morte, e argumentou que existem alternativas menos nocivas. Comentou ainda o risco de produtos inadequados usados na estética.
Sobre assuntos de segurança, mencionou o uso de canetas emagrecedoras sem prescrição, reforçando a necessidade de regulação. Encerrou afirmando que a inteligência artificial não substitui o diagnóstico humano.
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