- Deolane Bezerra, advogada e influencer com cerca de 21,7 milhões de seguidores, foi presa pela segunda vez em São Paulo, em operação contra lavagem de dinheiro do PCC.
- A investigação envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), controlada pela cúpula da facção, apontada como braço financeiro da organização.
- Ao todo, há seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão; foram bloqueados quase 39 veículos e 357,5 milhões de reais em ativos.
- A ação mira, ainda, membros da família de Marcola (liderança do PCC) e outras pessoas ligadas à operação Vérnix, com buscas na casa de Deolane e endereços relacionados.
- O inquérito apura lavagem de dinheiro associada a apostas online e empresas de publicidade, com indícios de repasses financeiros a Deolane, Everton de Souza e familiares da cúpula do PCC.
Dona de 12 mansões e de uma frota de carros de luxo, Deolane Bezerra, advogada e influenciadora com cerca de 21,7 milhões de seguidores, foi presa novamente em São Paulo. A nova operação investiga lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, no interior paulista.
A prisão ocorreu durante a 2ª fase de uma ação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil. Além de Deolane, foram alvo parentes e pessoas ligadas ao líder da facção Marcola. A operação tem como objetivo combater o esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a transportadora controlada pela cúpula criminosa.
A investigação aponta que o grupo utilizava empresas de publicidade, eventos, casas de apostas e outras operações para ocultar recursos oriundos de atividades ilegais. Ao todo, foram bloqueados 39 veículos e R$ 357,5 milhões em ativos financeiros.
Historicamente, Deolane já havia sido presa previamente. Em setembro de 2024, a primeira detenção ocorreu durante a Operação Integration, em Pernambuco, ligada a suspeita de lavagem de dinheiro e jogos ilegais. Ela foi libertada dias depois mediante habeas corpus, com medidas cautelares.
Segundo dados da apuração, a transportadora de Presidente Venceslau funciona como fachada para movimentação de recursos da organização. O carregamento de ativos envolve a redistribuição de valores entre a cúpula do PCC e operadores financeiros, com a participação de pessoas ligadas à influenciadora.
A defesa de Deolane nega irregularidades e sustenta que a suspeita de perseguição persiste. Não houve, até o momento, condenação definitiva divulgada pelo Ministério Público ou pela Justiça no caso em São Paulo.
Contexto da investigação
A linha de atuação do inquérito teve início em 2019, com a apreensão de bilhetes em presídio paulista. As investigações resultaram em três inquéritos, que revelaram a estrutura criminosa e apontaram uma mulher associada à transportadora como elo para ações contra agentes públicos.
A partir daí surgiu a identificação da transportadora de Presidente Venceslau como instrumento de lavagem. A Operação Lado a Lado, em 2021, sinalizou movimentações financeiras incompatíveis com a base econômica declarada pela organização.
Entre os fatos apurados, houve indicação de depósitos ligados a Deolane Bezerra, além de operações envolvendo Everton de Souza, conhecido como Player, e o núcleo da direção da facção. A Justiça determinou bloqueio de valores e bens relacionados aos investigados.
O universo da apuração também envolve vínculos com familiares de Marcola, incluindo suspeitas de repasses financeiros e uso de contas de terceiros para ocultar origens de recursos. A investigação continua para esclarecer a extensão das operações financeiras.
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