- O concurso público nacional para a Casa da Mulher Indígena (CAMI) teve como vencedora a proposta “Entre florestas, roças e quintais”, de um coletivo de mulheres de São Paulo, com prêmio de R$ 50 mil e assinatura de contrato para desenvolver os Projetos Executivos com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).
- A solução valoriza espaço central e flexível, com formato circular, deslocando o terreiro tradicional para um pátio central para fortalecer protagonismo e autonomia das mulheres indígenas.
- Em segundo lugar ficou a equipe Mowa Arquitetura, de Santa Maria (RS), premiada com R$ 30 mil; em terceiro, o grupo TerraCal, de Cuiabá (MT), que recebeu R$ 15 mil.
- O edital, lançado em vinte e seis de janeiro, exigiu participação de mulheres arquitetas e, na composição, pelo menos uma mulher indígena; também previa adaptação das propostas aos sete biomas do país e ao território Yanomami; foram 28 inscrições homologadas e 25 propostas submetidas.
- Dados do SINAN, compilados pela plataforma Gênero e Número, indicam aumento de violência contra mulheres indígenas entre 2014 e 2023, e o CAMI integra demandas apresentadas no Acampamento Terra Livre de 2025 pela ANMIGA.
O Concurso Público Nacional de Ideias de Arquitetura para a Casa da Mulher Indígena (CAMI) anunciou os vencedores na segunda-feira, 11 de maio de 2026, no Auditório Jayme Golubov da FAU-UnB, em Brasília. A iniciativa, ligada ao Ministério das Mulheres, visa criar espaços seguros e acolhedores para mulheres indígenas em situação de violência, por meio de projetos executivos desenvolvidos por equipes de arquitetura.
A proposta vencedora, intitulada Entre florestas, roças e quintais, é de um coletivo de mulheres com Fernanda Britto como responsável técnica, e coautoras Ana de Abreu Altberg e Juliana Sicuro Corrêa. Outras colaboradoras incluídas foram Francy Baniwa, Julia Sá Earp, Mariana Cruz e Giovana Paape Casa Nova. O prêmio para a primeira colocação é de R$ 50 mil, com assinatura de contrato para desenvolvimento dos Projetos Executivos com a Finatec.
O projeto premiado prioriza uma forma circular e um pátio central, que desloca o eixo tradicional da roça para incentivar a vivência coletiva e o protagonismo das mulheres indígenas. Elementos como a roça, o terreiro e o espaço de convívio são reinterpretados para fortalecer autonomia e redes de apoio entre as moradoras.
Além disso, a proposta busca espaços flexíveis e intimistas, capazes de abrigar estadias transitórias e facilitar encontros que favoreçam alianças comunitárias. A organização do espaço privilegia atividades de convivência, cura e atividades artesanais, integrando áreas de alojamento e quintal com os demais ambientes da CAMI.
Em segundo lugar ficou a equipe Mowa Arquitetura, de Santa Maria (RS), com prêmio de R$ 30 mil. A proposta contempla uma estrutura circular que enfatiza a convivência entre as mulheres, mantendo o conceito de acolhimento e sociabilidade previsto pelo edital.
Terceiro lugar ficou com o grupo TerraCal, de Cuiabá (MT), premiado com R$ 15 mil. A proposta apresenta diferentes camadas de acesso ao pátio central, enfatizando flexibilidade de uso para as frequentadoras da CAMI.
O edital, lançado em 26 de janeiro, durante a cerimônia no MALOCA-UnB, exigiu que as equipes tivessem participação de mulheres arquitetas e urbanistas, com pelo menos uma mulher indígena na composição. Também previa adaptação das propostas aos biomas brasileiros, considerando sete territórios prioritários, incluindo Caatinga, Pampa, Pantanal, Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e o território Yanomami.
Ao todo, o concurso contou com 28 inscrições homologadas e 25 propostas submetidas, avaliadas por uma comissão formada por cinco arquitetas e urbanistas titulares, além de uma mulher indígena doutora em antropologia social e uma mulher indígena socióloga. A participação de equipes diversas buscou incorporar saberes culturais e técnicos alinhados às especificidades das comunidades atendidas.
A CAMI surge como resposta a pedidos de políticas públicas que valorizem a dignidade, o cuidado e a ancestralidade das mulheres indígenas, e reforça a necessidade de espaços que promovam segurança e proteção. A iniciativa já gerou expectativa quanto a impactos sociais e à autonomia das comunidades atendidas.
Em relação ao contexto de violência, dados do SINAN indicam aumento expressivo de ocorrências contra mulheres indígenas entre 2014 e 2023, com agravantes de assédio e exploração sexual. Pesquisas associadas ao tema ressaltam a importância de ações multidisciplinares e de infraestrutura adequada para enfrentar essas situações.
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