- Dados do Ministério da Educação mostram que 35% dos docentes não atingiram o nível básico na Prova Nacional Docente, conhecida como Enem dos Professores.
- Segundo o Inep, apenas cerca de dois em cada dez professores avaliados atingem o nível considerado adequado para lecionar.
- No ensino a distância, apenas um em cada dez docentes alcança o nível adequado, o que é considerado preocupante.
- Especialistas pedem investimento federal para viabilizar cursos presenciais de alta qualidade e alerta para o risco de “apagão docente”.
- Na área de Matemática, 54,1% dos avaliados não são proficientes, sinalizando dificuldades de atrair e formar docentes nessa disciplina.
O Ministério da Educação mostrou dados da Prova Nacional Docente (PND), conhecida como Enem dos Professores, indicando que 35% dos docentes não alcançaram o nível básico. Especialistas ouvidos pelo Estadão reforçam a necessidade de mudanças urgentes na formação docente do Brasil para melhorar a aprendizagem dos alunos.
A avaliação da PND mostra dois padrões de proficiência definidos pelo Inep. O padrão 1 reúne professores com condições mínimas de planejamento e avaliação, mas com necessidade de orientação para ações pedagógicas. O padrão 2 corresponde a docentes com competências sólidas para planejar, aplicar metodologias e avaliar com fundamentos éticos.
Segundo o Inep, apenas cerca de 20% dos avaliados atingem o nível considerado adequado para lecionar, o que sinaliza um quadro crítico. Olavo Nogueira, diretor-executivo do Todos Pela Educação, afirma que a situação é mais grave do que indicam os números, sobretudo no ensino a distância.
No ensino remoto, o cenário é ainda mais preocupante: apenas 10% dos docentes avaliados alcançam o nível adequado. Especialistas defendem que o governo federal precisa investir em cursos presenciais de alta qualidade e incentivar a atuação de instituições privadas com forte base presencial.
Para Fabio Perboni, da Anfope e professor universitário, a formação via EAD não pode ser padronizada com apenas vídeos gravados, sem diálogo. Ele aponta como desafio controlar a qualidade dos cursos e evitar a formação de professores de baixa qualidade.
A previsão de “apagão docente” para os próximos dez a quinze anos tem sido destacada pelos especialistas, que ressaltam a necessidade de reposição de profissionais para evitar déficit em salas de aula. A formação contínua e a atração de talentos para áreas estratégicas, como Matemática, aparecem como grandes gargalos.
Na área de Matemática, 54,1% dos avaliados não são proficientes. Costin enfatiza a dificuldade de atrair licenciaturas e defende tempo integral maior, carga horária fortalecida e prática supervisionada para melhorar a formação docente e, consequentemente, o desempenho dos estudantes.
A má formação impacta o desempenho estudantil: apenas 5% dos alunos da terceira série do ensino médio demonstram proficiência suficiente em matemática. Dados da PND e do Pisa de 2022 indicam que a maioria dos estudantes brasileiros está abaixo do básico na disciplina.
Entre na conversa da comunidade