- A Asbai lançou uma campanha nacional para as escolas se prevenirem, identificarem e como partager casos de anafilaxia.
- Principais problemas nas instituições: ficha de saúde desatualizada, falha na comunicação entre família, escola e cantina, risco de contaminação cruzada, falta de treinamento e medicamentos de emergência inacessíveis.
- Orientações da Asbai incluem evitar compartilhar alimentos sem orientação, identificar alunos com alergias e capacitar professores, com práticas rígidas em cozinhas para evitar contaminação.
- A adrenalina autoinjetável ainda não está disponível no Brasil, o que eleva a dependência do atendimento de emergência.
- Existem dois projetos de lei tramitando no Congresso: PL 1945/21, para notificação de casos ao Ministério da Saúde, e PL 85/24, para fornecimento gratuito da adrenalina pelo SUS.
Em campanha nacional, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) alerta para a necessidade de escolas estarem preparadas para prevenir, identificar e manejar casos de anafilaxia. A iniciativa busca reduzir riscos de alergias alimentares em ambientes escolares e melhorar a comunicação entre família, escola e cantina.
Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Asbai, destaca a carência de protocolos estruturados e de treinamento entre equipes. A fala da especialista aponta que muitos colégios não reconhecem alergias alimentares como potencial gatilho de reações graves, subestimando sinais iniciais.
Entre os problemas identificados estão a falta de ficha de saúde atualizada, falhas de comunicação entre família, professores e coordenação, contaminação cruzada na cozinha e ausência de medicamentos de emergência devidamente orientados para uso.
Orientações da Asbai
A entidade orienta evitar o compartilhamento de alimentos sem orientação, identificar alunos com alergias e capacitar docentes para reconhecer sinais precoces de reação. Práticas rigorosas na cozinha visam evitar contaminação cruzada.
O impacto emocional da alergia também recebe atenção. Crianças podem viver com medo de exposição, sensação de exclusão e ansiedade em eventos com comida, o que reforça a necessidade de inclusão nas atividades escolares.
Sintomas e evolução da anafilaxia
Os sinais podem atingir pele, vias respiratórias, sistema gastrointestinal, cardiovascular e neurológico. Em muitos casos, a reação evolui rapidamente após a exposição a um alérgeno.
Reações leves costumam ficar restritas à pele, com coceira e urticária. A anafilaxia envolve sintomas sistêmicos, como dificuldade de respirar, inchaço e queda de pressão, exigindo atendimento emergencial imediato.
Tratamento, acesso a medicação e ações no Brasil
A adrenalina é o tratamento de primeira linha, administrada o quanto antes em sinais de gravidade. A versão autoinjetável ainda não está amplamente disponível no Brasil, dependente de importação, o que gera atraso no manejo.
Dados do Registro Brasileiro de Anafilaxia indicam subdiagnóstico da condição no país, com 318 pacientes cadastrados e 42,1% das reações causadas por alimentos. Leite, mariscos e ovo aparecem entre os gatilhos mais comuns.
Considerações legislativas em tramitação
No Congresso tramitam dois projetos de lei relacionados ao tema. Um amplia a notificação de casos ao Ministério da Saúde para ampliar dados oficiais. Outro propõe fornecer gratuitamente adrenalina autoinjetável pelo SUS, fortalecendo o atendimento em casa e na escola.
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