- A educação usa cada vez mais TDIC (tecnologias digitais de informação e comunicação), tornando o ensino mais dinâmico com plataformas online, realidade virtual e multimídia.
- O uso excessivo de telas pode impactar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social, aumentando riscos como déficit de atenção, ansiedade e violência online; a educação precisa de equilíbrio entre mundo digital e real.
- Internacionalmente, a Austrália instituiu, em dezembro de 2025, lei que proíbe menores de 16 anos de criarem contas em grandes redes sociais; a Dinamarca planeja restringir o acesso a redes para menores de 15 anos.
- No Brasil, dados de 2025 apontam 993 mil crianças e adolescentes de 4 a 17 anos fora da escola; há queda de matrículas na educação básica e níveis altos de analfabetismo funcional, com desigualdades acentuadas.
- Medidas e desafios incluem leis como o Marco Civil da Internet, o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), e programas como Internet Brasil e WiFi Brasil; ainda é necessária maior capacitação de professores e investimentos em infraestrutura para inclusão digital na educação básica.
A educação enfrenta o impulso da tecnologia e os seus efeitos são amplos. Em sala de aula, plataformas online, realidade virtual e recursos multimídia ganham espaço, alterando a dinâmica do ensino. A tecnologia pode dinamizar a aprendizagem, desde que haja supervisão e diretrizes adequadas.
Pesquisadores comentam que crianças e adolescentes incorporam TDIC no cotidiano, mas podem faltar habilidades básicas como letramento e raciocínio lógico se a aprendizagem não for interativa. Estudos apontam riscos de déficit de atenção, problemas de saúde e maior vulnerabilidade a crimes virtuais sem orientação adequada.
A visão da ONU sobre redes sociais ressalta potencial de conexão e disseminação de informações, mas também alerta para desinformação, discursos de ódio e violações de direitos. O equilíbrio entre mundo digital e real é visto como crucial para o desenvolvimento cognitivo saudável.
No Brasil, a educação enfrenta entraves históricos de acesso e qualidade. Dados de 2025 do Unicef indicam quase 1 milhão de crianças e adolescentes fora da escola entre 4 e 17 anos. A evasão é maior entre jovens de 15 a 17 anos, com impactos desproporcionais para famílias de baixa renda e grupos pretos, pardos e indígenas.
O Censo Escolar 2023 mostrou queda de matrículas na educação básica em quase duas décadas, atingindo o ensino médio e a educação infantil. Motivos incluem trabalho infantil, reprovação, desengajamento escolar e gravidez. Estima-se que 8,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos tenham abandonado ou nunca frequentado a escola, segundo a PNAD Educação.
Dados do IBGE em 2025 apontam 9,1 milhões de analfabetos no país, com maior concentração no Nordeste. A taxa de analfabetismo entre pretos e pardos é mais elevada do que entre brancos. O analfabetismo funcional atinge 29% da população de 15 a 64 anos, segundo o indicador correspondente.
Mesmo com avanços legais, o Brasil tem deficiências em conectividade e infraestrutura. O Censo Escolar 2023 revela que apenas 29% das escolas contam com equipamentos suficientes, e há grandes desigualdades regionais na conectividade das redes públicas de ensino.
Entre as leis relevantes, o Marco Civil da Internet define cidadania digital, neutralidade e proteção de dados, além de estabelecer limites de uso por idade. A Lei Carolina Dieckmann e a LGPD complementam o arcabouço de segurança e privacidade. Em 3 de setembro de 2025, foi sancionado o ECA Digital, com regras para verificação de idade e vinculação de contas de menores de 16 anos.
Relatos oficiais indicam investimento de 8,8 bilhões de reais para conectar 138 mil escolas até 2026, com ações do Mcom e MEC via leilões de 5G e Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações. Programas como Internet Brasil, WiFi Brasil e a expansão da rede 5G integram a estratégia, junto à proteção por meio da Estratégia Nacional de Cibersegurança.
Apesar das medidas, falta investimento contínuo na educação básica, valorização docente e formação de qualidade. A evasão escolar, a violência e a desigualdade impactam o uso da tecnologia na educação. A capacitação de professores permanece insuficiente, com necessidade de metodologias ativas e foco no desenvolvimento socioemocional.
Especialistas defendem que o caminho envolve políticas públicas que promovam inclusão digital na educação básica, com infraestrutura estável e formação continuada de docentes. A meta é tornar a tecnologia uma aliada pedagógica, alinhando-a ao currículo e ao contexto de cada escola.
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