- Debate no São Paulo Innovation Week discutiu o uso de Inteligência Artificial em avaliações em larga escala e na correção de redações, com moderadora Renata Cafardo.
- Especialistas destacaram que a correção humana também pode apresentar vieses, e questionaram se o viés humano seria menor ou maior que o algorítmico.
- Ressaltaram a necessidade de reformar as matrizes usadas hoje em provas como o Saeb, destacando que a matriz criada em 2001 está defasada para orientar itens e testes atuais.
- A previsão é revisar essa matriz ainda neste ano, e houve aprovação de diretrizes pelo Conselho Nacional de Educação para o uso de IA em escolas e universidades, com consulta pública antes da homologação pelo Ministério da Educação.
- Mencionaram o risco de ampliar desigualdades: escolas privadas podem usar avaliações formativas com IA, enquanto públicas enfrentam burocracia, sugerindo que a IA pode ser aliada se integrada ao trabalho docente.
O São Paulo Innovation Week discutiu o uso de Inteligência Artificial em avaliações educacionais, com foco em exames de larga escala e na correção de redações. O debate ocorreu durante o painel Como a IA Está Transformando as Avaliações no Brasil e no Mundo, mediado pela repórter Renata Cafardo. Participaram pesquisadoras da área.
Especialistas ressaltaram que o viés na correção é um problema real, mas destacaram que a correção humana também pode apresentar vieses. A pergunta central é comparar a magnitude do viés entre métodos humanos e algorítmicos, sem excluir a adoção de tecnologias avaliativas.
As debatedoras defenderam a necessidade de reformar as matrizes usadas hoje em avaliações como Saeb, para acompanhar novas tecnologias. A ideia é criar itens que avaliem não apenas o conteúdo, mas o percurso de resposta dos estudantes e a adaptação das provas.
Novas matrizes para as avaliações
A proposição é revisar a matriz do Saeb, elaborada ainda em 2001, que hoje orienta a construção de itens e testes. A atualização seria para permitir provas mais alinhadas a métodos digitais e IA, com bases de dados ampliadas e algoritmos diversos.
A expectativa é que a revisão ocorra ainda neste ano. O Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes para o uso de IA em escolas e universidades, que devem tramitar em consulta pública antes de ir ao MEC para homologação.
Risco de aprofundar desigualdades
As especialistas destacaram que a integração da IA pode ampliar desigualdades entre escolas. Centros privados possuem maior capacidade de desenvolver sistemas de avaliação formativa e provas criativas com tecnologia, enquanto a rede pública enfrenta entraves burocráticos.
Para Priscila Tavares, da FGV, a IA pode atuar como aliada do professor quando inserida de forma complementar na sala de aula, fortalecendo o processo de aprendizagem. A ideia é ampliar o uso responsável da tecnologia.
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